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Atikuns de Curaçá esperam ajuda

A Tarde-Salvador-BA
Autor: CRISTINA LAURA
03 de jan de 2006

Cerca de 500 índios vivem em condições precárias, sem nenhum tipo de
infra-estrutura, e precisam de apoio do governo federal

Os índios da tribo Atikum que vivem a
sete quilômetros do município de Curaçá, região norte do Estado, a 592
quilômetros de Salvador, aguardam, este mês, R$ 50 mil, uma ajuda do
governo federal para compra de sementes e cultivo de mandioca, milho e
feijão, alguns animais como caprinos e suínos e ainda a construção de
uma casa de farinha. Com isso, eles vão poder viabilizar melhorias
necessárias para a condição de vida no lugar.

O dinheiro é liberado pela Carteira Indígena, ação conjunta do
Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome e Ministério do Meio
Ambiente, que seleciona, aprova e financia projetos relacionados à
segurança alimentar e nutricional dos povos indígenas.

O dinheiro chega para que as cerca de 500 pessoas das 55 famílias que
vivem na tribo tenham uma esperança de dias melhores neste início de 2006.

Vivendo em condições precárias, sem nenhum tipo de infra-estrutura, em
casas de taipa, sem água encanada ou tratada, sem banheiros, com área
de plantio abandonada por falta de uma bomba d'água que possibilitasse
a irrigação e sem carro para levar os doentes às cidades mais
próximas, apesar de algumas promessas das instituições responsáveis
pela tribo, a situação dos Atikuns precisa de reparos para chegar ao
mínimo de um vida digna.

PENDÊNCIAS - Os 700 hectares de terra onde vivem os índios há dez
anos, em fase de pendência até o ano passado com o Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária (Incra ), já saíram do papel, e o
processo chegou ao fim com a desapropriação e homologação da terra.

De acordo com a cacique da tribo Atikum, Djanira da Silva, "a decisão
nos deu mais tranqüilidade no que diz respeito à relação com o dono da
terra e mostra que podemos conseguir fazer valer nossos direitos e
valorizar nossas raízes".

Primeira mulher a se tornar cacique na tribo dos Atikuns, Djanira já
deixou claro que seu espírito de liderança tem o respeito dos índios
não só da sua tribo como de outras que vivem em localidades próximas
nos Estados da Bahia e Pernambuco.

Em junho do ano passado, desesperados pela ausência de assistência à
saúde indígena e depois da morte de duas crianças, os Atikuns
decidiram ocupar o prédio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em
Juazeiro, onde ficaram por um mês. Momentos de tensão, conflitos
gerados por dificuldades de entendimento durante as negociações
levaram os índios a quebrarem equipamentos e queimarem uma Toyota da
Funasa.

Com intermediação da Polícia Federal, a situação pôde ser controlada
depois de algumas reuniões através da Procuradoria da República e
Ministério Público.

Distribuição de cestas básicas

O burocrático caminho das cestas básicas que devem chegar aos índios é
um problema à parte. Segundo a cacique Djanira, o Ministério do
Desenvolvimento Social zela pelo repasse dos alimentos para a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que repassa para o Incra
(escritório de Petrolina/PE), que entrega ao Posto Indígena que fica
na cidade de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.

Para retirar as quatro toneladas de alimentos que estão no posto, os
atikuns têm que conseguir carro e dinheiro para então ter acesso à
comida. "Não é justo que a gente precise tirar o pouco que temos para
pagar pelo transporte da comida. Nosso sofrimento parece não ter fim",
desabafa José Manoel Diniz, pajé da tribo Atikun.

Na lista de promessas, a Prefeitura de Curaçá tem participação por
meio da responsabilidade assumida com os índios para construção de
casas de alvenaria em substituição às de taipa e já colaborando com o
transporte das crianças e jovens da tribo para as escolas na cidade
até que se construa a unidade de ensino na própria aldeia.

Demarcação - A Funasa esteve na área fazendo demarcação para
construção de dois poços artesianos. Uma das maiores reivindicações
dos índios que vivem na região do Vale do São Francisco, porém, é que
um escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai) seja instalado na
região com base na proximidade geográfica das aldeias.

A unidade de representação da Funai mais próxima fica a 380
quilômetros na cidade de Paulo Afonso.

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