VOLTAR

Até 2100, mundo terá dez vezes mais secas

O Globo, Especial, p. 7
15 de Jun de 2012

Até 2100, mundo terá dez vezes mais secas
Ocupação irregular da terra e aumento da população agravam problema no Brasil

Estudo apresentado ontem na Rio+20 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revela que, até 2100, o número de secas graves em todo o mundo deve aumentar em pelo menos dez vezes. O fenômeno já é intensificado pelas mudanças climáticas do planeta, mas também por fatores diretamente ligados à ação humana, como desmatamento, ocupação irregular da terra e aumento populacional. As consequências são dramáticas: escassez de água è alimentos. Somente na região do Sahel, na África, há 13 milhões de pessoas diretamente afetadas. E o Brasil não está imune. A atual seca do Nordeste já é considerada a pior dos últimos 50 anos.
De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a frequência e intensidade das secas vêm aumentando nos últimos 25 anos, devido à elevação da temperatura do planeta.
- Secas produzem grandes perdas econômicas e, por isso, matam mais do que qual quer outro desastre natural - afirma Mohammed Bazza, da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).
E sua frequência e gravidade vêm aumentando. São muitos os países atingidos a cada ano. Até 2050, seremos 9 bilhões de pessoas: teremos que produzir 70% mais comida, fazer mais, com menos recursos naturais, como água.
Porém, só um país tem uma política nacional de prevenção, alerta e mitigação de secas: a Austrália. Ainda é cedo para relacionar a intensidade da seca no Nordeste brasileiro às mudanças climáticas. Mas, eventos que no passado poderiam passar despercebidos por não serem tão intensos do ponto de vista meteorológico, ganham dimensão maior por acontecerem em áreas densamente povoadas. (Roberto Jansen)

O Globo, 15/06/2012, Especial, p. 7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.