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Assassino de indígena é preso na comunidade Mato Grosso

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
04 de Mar de 2004

Após um mês e 19 dias, agentes da Delegacia do Município de Pacaraima, fronteira com a Venezuela, conseguiram prender o responsável pelo homicídio do indígena José Conrado Lima, ocorrido no dia 10 de janeiro, na comunidade Mato Grosso, reserva Raposa/Serra do Sol.

O responsável pelo crime, também indígena, é o agricultor Jadir Amaro da Silva, que já estava com a prisão preventiva decretada pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Leonardo Pache de Faria Cupello, desde o dia 16 do mês passado.
Conforme o delegado de Pacaraima, Gerson Coelho, desde que o crime ocorreu, mesmo com o apoio do tuxaua da comunidade, Carlos Antônio de Sousa, 43, que apresentou o acusado às autoridades policiais, não foi possível fazer a prisão porque não tinha sido pego em flagrante.

No dia 21 do mesmo mês, a delegacia do município recebeu um ofício da Funai (Fundação Nacional do Índio), em que pela gravidade do delito os moradores da comunidade apresentavam um abaixo-assinado pedindo a prisão de Jadir, por ele apresentar grande ameaça à comunidade. Em outras situações o acusado já tinha agredido e tentado matar várias pessoas, inclusive a própria esposa.

No dia 9 de fevereiro, Francisco Antonino, amigo de Conrado e que sobreviveu aos golpes desferidos por Jadir, procurou a delegacia e prestou depoimento, relatando a frieza do homicida tanto ao cometer o crime quanto após o episódio. "Ele nos golpeou e foi embora como se nada tivesse acontecido", disse.

Ao ser localizado, Jadir foi autuado por homicídio e tentativa de homicídio conforme artigo 121 combinado com o 14 do Código Penal Brasileiro, em seguida trazido à Capital onde foi apresentado ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior (DPJI) e levado à Cadeia Pública de Boa Vista, onde deverá permanecer à disposição da Justiça.

O CASO - Conforme informações dos autos do processo, no dia do crime, Jadir, um amigo identificado por Mário de Almeida, Conrado (a vítima fatal) e Francisco Antonino, ambos indígenas, estavam participando de uma manifestação na sede do município quando pegaram carona de carro até um determinado ponto, onde seguiram a pé rumo à comunidade.

Por volta das 13h, o grupo resolveu parar no meio da estrada para descansar e tomar banho em um igarapé e beber cachaça. Em um certo momento, Jadir, Francisco e Conrado começaram discutir por motivos fúteis. O acusado então pegou uma faca de sua bolsa e atingiu Antonino com três golpes e Conrado com um único golpe abaixo da costela.

Mário, que não fez menção alguma de defender os feridos, seguiu com o acusado até a comunidade, alegando em depoimento que fora atrás de socorro e que só ficou sabendo da morte e da remoção da vítima sobrevivente à Capital, no dia seguinte.

O corpo de Conrado só foi localizado um dia depois em estado de decomposição e removido à Capital onde foi necropsiado no Instituto de Medicina Legal (IML) e posteriormente liberado aos familiares.

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