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Assassinatos de religiosos permanecem impunes no MT

Diário de Cuiabá-MT
13 de fev de 2002

A ação da Justiça Federal, de tentar localizar e citar os denunciados pelo assassinato do missionário jesuíta espanhol Vicente Cañas, em Juína, esbarra num labirinto de artifícios que beneficiam os acusados e evidencia as dificuldades em se punir culpados por assassinato de religiosos em Mato Grosso. Dos quatro homicídios registrados nos últimos anos, em apenas um caso há pessoas presas.

Em 7 de novembro do ano passado, o juiz da 2ª Vara Federal em Cuiabá, Jeferson Schneider, pronunciou Ronaldo Antonio Osmar, Martinez Abadio da Silva e José Vicente da Silva, indiciados pelo assassinado do missionário Vicente Cañas. E no final do mês passado a Justiça Federal expediu precatória para as Comarcas de Juína e de Goiânia (GO) citarem os acusados pelo crime.

Na quinta-feira da semana passada, um oficial de Justiça de Juína efetuou diligências para localizar Ronaldo, descobriu que ele não mora mais na Comarca e tomou conhecimento que se mudou para Goiânia. Ninguém está preso pela execução do missionário. E um dos supostos mandantes do crime, Pedro Chiquetti, segundo fontes do Judiciário, teria morrido.

Outro dos acusados, o capataz de fazenda José Augusto, sequer foi pronunciado por não ter sido qualificado enquanto cidadão. O missionário foi executado no dia 6 ou 7 - a data somente será esclarecida quando do julgamento dos réus - de abril de 1987, na área identificada por Caixão de Pedra, na reserva indígena Salumã, da etnia Enawenê-nawê, em Juína (750 quilômetros a Noroeste de Cuiabá).

Os homens que o mataram chegaram ao local do crime através de uma picada aberta na mata na fazenda Londrina, cujos proprietários seriam desafetos de Cañas. Canãs foi pego de surpresa quando banhava no rio Juruena e morto a pauladas e facadas. O crime teria sido executado a mando de fazendeiros e madeireiros da região, que estariam insatisfeitos com o trabalho pastoral do jesuíta junto aos índios de Salumã.

Em 30 de dezembro de 93, o Ministério Público Estadual denunciou os acusados pelo crime. Mas, diante da complexidade do caso, e pelo fato da execução ter sido perpetrada numa área indígena sob tutela da União, a apuração foi delegada à Procuradoria República, que em 27 de agosto de 99 ratificou a denúncia formulada pelo Ministério Público.

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