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'Aruanas' patrulha ambiental feminina legendas em 11 línguas

O Globo, Segundo Caderno, p. 1
28 de jun de 2019

'Aruanas' patrulha ambiental feminina legendas em 11 línguas
Inspirada em histórias reais, série brasileira em dez episódios sobre ativistas ambientada na Amazônia será lançada ao mesmo tempo no Globoplay e em 150 países na terça-feira

ALESSANDRO GIANNINI
alessandro.giannini@sp.oglobo.com.br
De São Paulo

Com lançamento simultâneo no Brasil e em mais 150 países, "Aruanas" conta a história de três amigas de infância envolvidas em uma organização não governamental que investiga crimes ambientais na Amazônia. A sintonia com temas como ativismo, preservação, sustentabilidade e direitos indígenas começa pelo título, na palavra de origem tupi que significa "sentinelas da natureza". A série brasileira em dez episódios estará disponível no dia 2 de julho, no Globoplay.
No thriller ambiental, Luiza (Leandra Leal), Natalie (Débora Falabella) e Verônica (Taís Araújo), fundadoras da ONG Aruanas, investigam uma série de pedidos de socorro, denúncias anônimas
e massacres de povos indígenas vindas da fictícia Cari, no interior da Amazônia. O resultado das investigações aponta para um grande esquema criminoso patrocinado por uma mineradora.
O protagonismo feminino fica evidente, e aconteceu também atrás das câmeras:
- Teve um espelhamento dentro da produção - diz Leandra, durante evento de lançamento da série, ontem, em São Paulo. - A equipe também tinha 50% de mulheres.
Além do trio de protagonistas, o núcleo central traz ainda Thainá Duarte no papel da estagiária Clara e a dupla de vilões formada por Camila Pitanga, como a lobista Olga, que atua no sentido de neutralizar as ações da Aruanas, e Luiz Carlos Vasconcelos, o empresário Miguel, dono da KM, uma das maiores e mais poderosas mineradoras do país.
- É uma história na qual cinco mulheres são protagonistas, e não apenas nas nossas relações amorosas. Estamos falando do nosso trabalho, das nossas paixões e convicções em relação à vida -diz Débora Falabella.
Taís Araújo, que interpreta uma advogada defensora das causas ambientais, diz que o engajamento das personagens a contaminou:
-Eu me considerava uma pessoa consciente antes da série, mas depois vi que consciência sem ação é pouca coisa. É urgente, é preciso agir no dia a dia -diz a atriz.
COM APOIO DE 28 ONGS
Escrita por Estela Renner e Marcos Nisti, com a colaboração de Pedro Barros, "Aruanas" centra foco principalmente no papel dos ativistas. Sob a direção artística de Carlos Manga Jr., e direção-geral de Estela, a série contou com a consultoria do Greenpeace e com o apoio de 28 organizações de direitos humanos e ambientais com atuação mundial.
- Com tantas séries incríveis que se passam em hospitais, delegacias de polícia, escritórios de advocacia, nós pensamos: "Por que não fazer uma que se passa dentro de uma ONG ambiental?" - explica Estela, criadora do projeto junto com Nisti.
Nem sempre, no entanto, a Amazônia, suas riquezas minerais e sua população indígena foram temas da primeira temporada. Até o segundo semestre de 2017, o assunto que preocupava as defensoras do meio ambiente na fictícia Aruanas era vazamento nuclear. A inspiração vinha de uma investigação do Greenpeace, que em 2008 identificou contaminação da água de Caetité, na Bahia, onde funciona uma mina de urânio.
A mudança de ambientação e temática para a Amazônia veio no segundo semestre de 2018, quando o governo de Michel Temer extinguiu a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca). A reserva mineral, situada no nordeste da Amazônia, entre os estados do Pará e do Amapá, retomaria seu status após ações de entidades ambientais.
- Nós tivemos que correr para mudar sinopses, reescrever os episódios que estavam prontos. Mas acho que acertamos, porque nada é mais representativo do que a Amazônia, que tem a maior concentração de biodiversidade e sofre com a ganância humana -afirma Nisti.
A ideia, segundo os criadores, é fazer com que cada temporada da série se debruce sobre uma questão ambiental diferente. Eles já têm pelo menos seis episódios da segundaescritos,masJoãoMesquita, CEO do Globoplay, tratou de acalmar os ânimos:
- Por mais que gostemos muito do trabalho que foi feito, não temos como garantir uma segunda temporada para todos os produtos. Vamos acompanhar a performance nas plataformas aqui e lá fora - disse ele, no encerramento do evento.
No exterior, "Aruanas" poderá ser vista em um ambiente administrado pela plataforma Vimeo, onde a primeira temporada será vendida por US$ 12,90. Chegará com legendas em onze idiomas: inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, holandês, russo, árabe, hindi, turco e coreano. Cinquenta por cento do resultado das vendas no período de julho a outubro será doado para uma entidade de proteção da floresta amazônica a ser escolhida pelos produtores. No dia 3 de julho, o primeiro capítulo será exibido na TV Globo, como uma espécie de degustação.
"Consciência sem ação é pouca coisa. É urgente, é preciso agir no dia a dia" _ Taís Araújo, que vive a advogada Verônica, defensora de causas ambientais.

O Globo, 28/06/2019, Segundo Caderno, p. 1

https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/com-tais-araujo-leandra-…

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