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Arrozeiros fazem reféns três missionários que atuam em Raposa Serra do Sol

Cir-Boa Vista-RR
06 de Jan de 2004

Um grupo de arrozeiros, fazendeiros e indígenas contrários à
homologação da área Raposa Serra do Sol, invadiu e saqueou na
madrugada desta terça-feira, 6/1, a missão de Surumu, que fica
dentro da terra indígena e fizeram reféns os padres Ronildo França
e César Avellaneda e o Ir. João Carlos Martinez. Na missão
funcionam escola e hospital que atendem as aldeias da região.

A reação liderada pelos rizicultores acontece em função da
declaração do Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que em
23 de dezembro de 2003, anunciou a decisão do presidente Lula assinar
o decreto homologatório de Raposa Serra do Sol no mês de janeiro
deste ano.

Os três missionários feitos reféns foram levados à aldeia
Contão onde os indígenas defendem as pretensões dos rizicultores
de homologação em território fracionado da Raposa Serra do Sol. As
vias de acesso à aldeia estão interditadas.

Indígenas da comunidade Canta Galo, localizada a cerca de três
quilômetros de Contão informaram através de radiofonia que os
missionários foram espancados e estão amarrados no centro na aldeia
sofrendo humilhações.

Padre Antônio Fernandes, superior dos Missionários da Consolata,
congregação a qual pertence os dois religiosos registrou
ocorrência na Polícia Federal por volta das 3h30mim da madrugada. A
delegada plantonista encaminhou o caso para a Dra. Juliana Karleal,
responsável da PF em Roraima por assuntos fundiários e indígenas.

A delegada comunicou os fatos e deixou de prontidão oito agentes
federais que estão na Vila de Pacaraima, cerca de quarenta
quilômetros da Missão. Devido o pequeno efetivo da PF em Roraima, a
delegada aguarda reforço policial de Brasília para resgatar os
reféns.

Líder dos rizicultores comanda invasão da Funai

As 9h15mim da manhã desta terça-feira, o líder dos arrozeiros,
Paulo César Quartieiro comandou pessoalmente a invasão da
administração regional da Boa Vista. Quatro ônibus com
aproximadamente 100 indígenas estacionaram em frente à sede do
órgão indigenista e o rizicultor deu a ordem para invadirem o
prédio.

Os servidores da Funai abandonaram a sede sem resistência. Fora do
prédio, a advogada do órgão, Dra. Ana Paula Souto Maior, esteve
cercada e vigiada por indígenas durante uma hora a mando de
Quartieiro. Ela só liberada após a intervenção da Polícia
Militar.

O movimento dos arrozeiros bloqueou nas primeiras horas da manhã todas
as estradas de acesso a Boa Vista. Cerca de 150 indígenas e populares
fechou a Ponte dos Macuxi que dá acesso a três municípios e à
República da Guiana. Outro grupo tomou a Ponte do Cauamé, na BR-174
que liga a capital do estado a vários municípios e à Venezuela.
Manifestantes também fecharam a fronteira com a Venezuela na cidade
fronteiriça de Pacaraima.

Na cidade de Boa Vista circulam informações de que os próximos
alvos dos manifestantes são a igreja Catedral e a sede do Conselho
Indígena de Roraima. Está anunciado para as 17 horas o fechamento do
aeroporto internacional de Boa Vista. Cerca de 60 indígenas e
funcionários do CIR estão sob alerta na frente da sede da
organização para evitar que o prédio seja invadido e saqueado.

O Conselho Indígena protesta contra a violência e vandalismo
praticado pelo movimento liderado pelos rizicultores. Todos os atos
praticados foram comunicados ao presidente da Funai, Mércio Pereira
Gomes e ao Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

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