Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: DANIELA MELLER
05 de Dez de 2002
População assiste ao ato público organizado pelos produtores de arroz
O protesto que tinha sido marcado pelos rizicultores para ter início às 16 horas, na Praça do Centro Cívico, iniciou somente às 17h30. O protesto foi batizado pelos agricultores como "Dia de Resistência" e obteve apoio de várias empresas, instituições e poderes políticos a fim. Houve uma carreata acompanhada por tratores que percorreu as principais ruas do Centro.
Segundo o rizicultor Luiz Afonso Faccio, apesar de todos estarem acampados há mais de quatro dias, o dia de ontem foi marcado como um dos mais importantes na luta contra a área contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.
Segundo Faccio, a área de um milhão e 600 mil hectares, onde estão localizadas várias lavouras de arroz, a qual foi considerada de usufruto permanente dos indígenas pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), poderá culminar com a falta do produto no Estado, uma vez que as atividades nas usinas estão suspensas.
"Se Roraima deixar de produzir arroz, o produto terá que ser importado do Rio Grande do Sul e com certeza o preço irá dobrar podendo chegar até R$ 3,00 o quilo", salientou Faccio.
Os produtores no protesto afirmaram que não são contra a demarcação da terra indígena, mas que ela seja feita de forma justa, uma vez que 90% das terras em Roraima estão bloqueadas e apenas 4% da área do Estado está apta a produção de alimentos.
O governador Flamarion Portela (PSL) disse que apóia o movimento e falou sobre a questão fundiária. "Esse é um ponto fundamental para ser resolvido o problema. Nós não podemos produzir com a instabilidade. Se a área tem que ser demarcada que seja, mas com segurança", afirmou.
Outro ponto questionado pelo governador é quanto à questão do desemprego. Ele afirmou que com a produção de arroz mais de seis mil empregos são gerados. "Nós queremos equacionar esses problemas para que o povo viva tranqüilo e tenha seu emprego garantido. Ninguém se instalou nessas áreas sem ter o interesse de produzir. Somos auto-suficientes em arroz e a perspectiva de expansão é maior, pois temos o domínio da tecnologia", elogiou.
O presidente da Arikon (Associação Regional Indígena do Rio Quinô, Cotingo Monte Roraima), Gilberto Macuxi, disse que os índios têm direito ao seu espaço e a sua cultura, mas os agricultores também o de produzir. "Somos brasileiros e queremos ser comandados por brasileiros, e não por estrangeiros. Se as terras realmente forem homologadas, a guerra entre os índios e brancos irá aumentar. Precisamos do apoio da sociedade para que haja desenvolvimento e progresso", disse.
Conforme o senador eleito Augusto Botelho (PDT), a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área única pode trazer abandono das terras. "Sempre houve uma boa influência entre índios e brancos e agora estão tentando mudar isso. A nossa esperança é que o novo presidente [Lula da Silva, do PT] possa ajudar reverter esse quadro", analisou.
O protesto teve continuidade durante a noite e, conforme o Conselho de Desenvolvimento Agropecuário do Estado de Roraima - formado por 20 organizações representativas de produtores, prestadores de serviços e comerciantes - até que algo seja resolvido os agricultores estarão acampados em frente ao Palácio Senador Hélio Campos, na Praça do Centro Cívico.
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