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Arrozeiros e índios pedem apoio da PF

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
16 de Dez de 2004

Em uma reunião marcada por ameaças e reclamações sobre a atuação da Polícia Federal, empresários, arrozeiros e indígenas ligados ao Movimento Pró-Roraima pediram o apoio da PF para impedir o mutirão convocado pela Diocese de Roraima, para acontecer no próximo sábado, com o objetivo de reconstruir as casas destruídas em três comunidades.
A reunião começou às 17h, quando os tuxauas que lideram comunidades contrárias à homologação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol ameaçaram ir até as últimas conseqüências para que o mutirão não ocorra. Eles acusaram a Polícia Federal, representada na reunião pela delegada Fabíola Prado Piovesan, de não atuar nas áreas onde estão ocorrendo os conflitos, o que estaria facilitando as ações da Igreja Católica na região em estimular os povos indígenas a um possível conflito.
O empresário Luiz Afonso Faccio, presidente da associação dos arrozeiros, e o tuxaua Gilberto Macuxi, da Arikon, foram incisivos em afirmar que a igreja é manipuladora dos índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima, que defende a homologação contínua. "Vamos à guerra, não existe outra saída. As autoridades devem tomar medidas sérias com relação a isso, ou o conflito entre os povos vai acontecer novamente", disse Gilberto.
CIR - Em meio a tantas reclamações por parte dos presentes na reunião, a delegada Fabíola ameaçou se retirar da sala uma vez que, de acordo com ela, não havia sido informado à Polícia Federal que a reunião seria realizada somente entre os arrozeiros, índios contrários à homologação e a Polícia Federal.
"Não estamos do lado de nenhuma entidade e não costumamos comparecer a reuniões onde somente uma parte é convidada a expor sobre determinado problema. A Polícia Federal somente cumpre o que determina a lei, não podemos fazer a desocupação de nenhuma área se a Justiça não determinar", disse.
O empresário Célio Fonseca, membro da Associação Comercial de Roraima (Acir), explicou que assim como a PF se reúne com lideranças do CIR e também da Igreja Católica em Roraima, aquela foi uma oportunidade de ouvir os empresários que também são parte interessada na questão da homologação.
Ao final da reunião, a delegada se propôs a fazer uma resenha do que foi discutido na reunião para ser encaminhada ao Departamento da Polícia Federal em Brasília, uma vez que todas as ações dentro da região da Raposa/ Serra do Sol são monitoradas por aquele departamento.

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