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Arrozeiros dizem que não saem sem luta

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CYNEIDA CORREIA
17 de Abr de 2005

Os arrozeiros que exploram a terra na margem sudoeste da área indígena também serão transferidos no prazo de um ano, o tempo necessário para a colheita da safra atual. A União afirmou que vai indenizar as benfeitorias construídas de boa-fé. Na região, há 63 ocupações em área rural: 47 pequenos pecuaristas e 16 rizicultores.
O presidente da Associação dos Arrozeiros, Paulo Cézar Quartiero, disse que os rizicultores não vão sair da área onde estão sem luta. "Não vamos sair sem lutar. É um ataque ao Estado e à federação. Temos que reagir. A violência já começou. Vilas vão desaparecer. Pessoas vão ser expulsas de casa. Será que não consideram isso violência? Estamos apenas tentando reagir Nós temos que nos mobilizar, entender que a sobrevivência de todos está em perigo e reagir", concluiu.
Para ele, a homologação é uma forma de acabar como o Estado e o governador Ottomar Pinto precisa tomar uma decisão e mobilizar a sociedade. "O governador precisa se conscientizar que é a autoridade máxima e tem que defender o Estado. Essas medidas vão inviabilizar o Estado e ele tem que convocar a população e resistir, pois é nosso líder máximo, representa 400 mil pessoas e tem obrigações constitucionais. Vamos agir dentro da Lei com firmeza, pois estamos sendo vítimas de ilegalidades", afirmou.
O presidente da Cooperativa Grão, Norte Dirceu Vinhal, afirmou que vê com preocupação essa questão da homologação e que as pessoas tem que defender seu patrimônio. "Nós temos certeza que tem interesses internacionais em Roraima. Não é apenas a Raposa, é uma tentativa de desmoralizar a sociedade organizada, seja governo, seja judiciário, e ficamos muito preocupados com isso. Precisamos definir o rumo do Estado e ver o que é possível fazer com a área liberada. Temos que reagir, pois as pessoas tem que defender seu patrimônio e isso é constitucional", declarou.
Almir Sá, da Federação de Agricultura, afirmou que a luta continua e que não pode haver desespero. "Eu acho que o desespero não resolve nada. Agora é hora da razão, do bom senso. Temos boa assessoria jurídica e apoio de todos os setores organizados do Brasil. Não pregamos violência, pregamos a ordem jurídica, a defesa das instituições", frisou.
O presidente da Fecor, Airton Dias, disse que a homologação feita pelo governo não agradou nem a índios e a não índios. Esperávamos mais bom senso do presidente Lula. Haverá muita fome e abandono e com certeza levará o Estado a uma situação crítica".
O presidente da Sodiur, Jonas Marcolino, acredita que a violência é possível.
"Não existe muita paciência e quando as decisões trazem prejuízos que afetam valores e interesses, todos partem para a briga", finalizou.

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