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Arrozeiros denunciam novas invasões

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
20 de Jul de 2004

Os empresários Ivo Barili (Arroz Tio Ivo) e Ivalcir Centenáro (Arroz Centenário) denunciaram na Polícia Federal, na tarde de ontem, que índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) invadiram suas terras localizadas na gleba Caracaranã, região do município de Normandia.
Segundo Ivo Barili, proprietário da fazenda Tatu, sua propriedade foi invadida por volta de meio-dia, quando os índios cortaram uma cerca que protege a área e ameaçaram soltar o gado para que os animais pisassem a plantação de arroz.
Depois de invadir a área, uma barraca de lona foi improvisada e outras de palha estão sendo construídas. Conforme a denúncia, um caminhão está conduzindo os indígenas das comunidades para se instalarem na propriedade.
Na semana passada, sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato dos Bancários estiveram na região reunidos com os indígenas. Ivo disse que já entrou com um pedido de reintegração de posse na Justiça Federal para voltar para a sua propriedade, mas está preocupado com os prejuízos financeiros que a invasão está lhe causando.
"Estamos na época da colheita e os homens estão com medo de trabalhar porque os índios estão ameaçando com terçados e flechas. Todos estão temerosos, ninguém quer voltar ao local. Os caminhoneiros estão com medo de perder os carros. Tínhamos a expectativa de colher 10 mil sacas de arroz e só colhemos 4 mil. O arroz que estava colhido foi abandonado no local e estragou", denunciou.
Ivo disse que os índios não atacaram nenhum dos trabalhadores nem mesmo os caminhões, mas seus trabalhadores abandonaram o trabalho com medo de sofrer alguma agressão. São 300 índios que montaram acampamento na fazenda Tatu, a mil metros da sede e 200 metros da plantação de arroz que, segundo Barili, está ameaçada pelos indígenas.
O empresário Ivalcir Centenáro disse que sua propriedade, a fazenda Mangueira, foi invadida no domingo à noite. Um casal e uma criança estavam na fazenda no momento da invasão e, apavorados, abandonaram o lugar. Os índios invadiram as casas, mexeram em algumas coisas e estão levando embora as estacas da cerca de madeira que cerca a propriedade.
Conforme Centenáro, apenas um porco desapareceu. "Queríamos que a Polícia Federal enviasse alguém até o local para tomar providência. As comunidades pró e contra a demarcação haviam firmado acordo de que nada seria feito até que saísse uma decisão da Justiça quanto a homologação. Mas eles não estão cumprindo este acordo", reclamou. "Não podemos fazer mais nada para evitar confusão. Estamos chegando a um ponto em que os nervos estão ficando a flor da pele" declarou.
O empresário afirmou que o acordo teria sido fechado cerca de quinze dias atrás, quando os índios entraram em conflito na área por causa da decisão judicial da ministra Ellen Greice, que acompanhou a decisão do juiz federal Helder Girão Barreto e da desembargadora Selene Maria de Almeida, mandando excluir áreas produtivas da reserva Raposa/ Serra do Sol.
CIR - A Assessoria de Comunicação do Conselho Indígena de Roraima (CIR) informou que a entidade não tem conhecimento de qualquer invasão que tenha ocorrido naquela região. Mas afirma que, uma vez acusando, os arrozeiros terão que provar que os índios realmente invadiram aquela área.
Quanto aos acordos de paz firmados entre as comunidades, há cerca de 15 dias, quando os índios daquela região estavam em pé-de-guerra, o Conselho afirmou desconhecer qualquer pacto desta natureza.
PF - O delegado federal Eduardo Alexandre Fontes, da Delegacia de Defesa Institucional (Delint), confirmou que a denúncia foi registrada na segunda-feira, 19. Mas o documento está nas mãos do corregedor do órgão, o delegado Dercio Carvalheda, para análise.
Segundo ele, este caso pode não ser da jurisdição da Polícia Federal. Dependendo da análise as providências serão tomadas. Caso seja atribuição da Polícia Federal, o delegado disse que a instituição poderá enviar homens para o local. O resultado dessa análise sairá hoje e a partir daí as decisões serão tomadas para a resolução do conflito. (T.B.)

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