Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Cyneida Correia
06 de Jun de 2005
O presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Luis Afonso Faccio, afirmou ontem em entrevista ao Programa Agenda da Semana da Rádio Folha, que os produtores que estão na área da Raposa/Serra do Sol, (homologada no início do ano) não vão deixar suas terras no prazo estipulado pelo Governo Federal para que eles desocupem a área indígena. Faccio disse ainda que os produtores não vão cumprir a determinação do Governo Federal porque ela é arbitrária.
"Não vamos sair porque nossas terras não foram roubadas, elas foram compradas e documentadas por isso vamos continuar no Estado e dentro de nossas fazendas", disse.
Segundo o presidente da Associação, os produtores vão ajuizar uma ação contra a homologação que deverá estar protocolada nos próximos dias. "Não vamos nos calar diante de um presidente que se preocupa muito mais com as pressões das ONG's do que com os produtores brasileiros. Não vamos sair de jeito nenhum", reafirmou.
Faccio disse ainda que os produtores serão respeitados no Estado e que estão sendo apoiados pela grande maioria da população. "Nós estamos sendo penalizados e perseguidos. É um crime se produzir hoje no País. Nós vamos vencer porque a população tem que se alimentar e não vai comer capim ou folha de árvore. Vamos respeitar o meio ambiente, mas precisamos dar condições de sobrevivência à população".
Outra questão colocada em pauta pelo produtor foi a perseguição que os arrozeiros vem sofrendo por parte de entidades federais que estão aplicando multas altíssimas que chegam a mais de 700 mil reais. Faccio explicou que tem áreas que os arrozeiros estão plantando há mais de 20 anos, com licença ambiental, acompanhamento técnico e de engenheiros, laudos técnicos e sendo fiscalizados pelo Ibama. "E agora, de repente, o governo Lula mandou fiscalizar a licença de supressão vegetal que é uma lei recente. Quando começamos a produzir nessas áreas a lei não existia, e estávamos seguros em uma licença autorizada pelo meio ambiente. Nós temos multas de mais de 700 mil reais. Eles deveriam entender que o homem precisa de comida. Tem que ter macaxeira, milho, arroz a sobrevivência depende disso. Vamos preservar o meio ambiente, mas não desestabilizar o Estado",concluiu
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