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15 de Abr de 2018
Os cursos de arquitetura e urbanismo e engenharia de produção são os que tiveram o menor número de alunos autodeclarados negros, pardos e indígenas matriculados este ano na Unicamp. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Comvest, que organiza o vestibular da instituição.
De modo geral, a matrícula de estudantes nessas condições aumentou neste ano. Foram 994 casos, ou 23,9% dos 3.327 ingressantes. Em 2017 o índice foi de 22% (715 matriculados).
O problema é que a divisão entre os cursos é desigual - por isso, a partir do ano que vem, a Unicamp adotará cotas para tentar aumentar a representatividade desse tipo de população na universidade.
No curso de arquitetura e urbanismo, por exemplo, apenas um dos 30 alunos matriculados se declarou negro, pardo ou indígena (3,3%). O índice o mesmo no curso de engenharia de produção, que tem apenas dois estudantes nessas condições entre os 60 ingressantes.
Na outra ponta da tabela, estão os cursos de licenciatura integrada em química e física, em que 47,1% do total de alunos se declarou negro, pardo ou indígena, e pedagogia (46,7%).
Os cinco cursos com MAIS alunos negros, pardos ou indígenas na Unicamp em 2018
Curso % de alunos
Licenciatura integrada Química/Física47,1
Pedagogia46,7
Tecnólogo em Química42,9
Letras (noturno)41,9
Tecnólogo em Saneamento Ambiental40
Ciências Econômicas38,9
Enfermagem38,5
Educação Física35,3
Engenharia Telecomunicações34
Geografia (noturno)33,3
Os cinco cursos com MENOS alunos negros, pardos ou indígenas na Unicamp em 2018
Curso% de alunos
Arquitetura e Urbanismo3,3
Engenharia de Produção3,3
Ciências do Esporte8,3
Engenharia Química10
Estudos Literários10
Letras (integral)13,3
Engenharia de Alimentos13,8
Geografia (integral)14,3
Odontologia15
Engenharia Civil16,3
Outro detalhe é que a maioria dos cursos com as maiores porcentagens de negros, pardos e indígenas é no período noturno. "Isso revela a condição social desse público, que precisa trabalhar durante o dia para estudar à noite, e reforça a necessidade das cotas", diz o coordenador da Comvest, José Alves de Freitas Neto.
Segundo ele, o objetivo das cotas, a partir do ano que vem, é justamente equilibrar o índice de estudantes negros, pardos e indígenas e acabar com as diferenças existentes hoje. "A intenção da Unicamp com as cotas é que a universidade seja um espelho da sociedade. Que a representatividade dessas populações na instituição seja a mesma que a existente no estado de São Paulo", diz.
ESCOLA PÚBLICA
O índice de alunos oriundos de escolas da rede pública de ensino caiu este ano na Unicamp - 49,2%, abaixo da meta de 50% estipulado pela própria instituição. Dos 3.327 matriculados na Universidade este ano, 1.638 fizeram o ensino médio em escolas da rede pública de ensino, número praticamente igual ao do ano anterior (1.635 estudantes), quando a Unicamp registrou o índice histórico de 50,3% de estudantes matriculados da rede pública. Em 2016, esse grupo representou 47,6% do total de matriculados.
Entre os estudantes egressos de escolas públicas, o número de autodeclarados pretos, pardos ou indígenas foi ainda maior e chegou a 35% do total de matriculados nesse universo, contra 32,4% no ano passado.
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