VOLTAR

Argentina quer atrair US$ 20 bi em investimentos

Valor Econômico, Empresas, p. F2
28 de Out de 2016

Argentina quer atrair US$ 20 bi em investimentos

Carlos Vasconcellos

O setor de mineração na América Latina enfrenta um cenário mais volátil, com preços em queda, mas luta para atrair novos investimentos. A Argentina, por exemplo, quer desenvolver um potencial pouco explorado. O país espera atrair US$ 20 bilhões em investimentos no setor até 2021. Segundo Gustavo Koch, presidente da Câmara de Mineração da Argentina, a indústria deve crescer com base em padrões modernos de operação. "Não temos uma tradição mineradora arraigada como o Chile, ou o Peru", compara. "Então, queremos expandir o setor evitando erros cometidos no passado, adotando as melhores práticas tecnológicas, ambientais e sociais."
"Há muito potencial. Só a exploração de algumas jazidas importantes de prata descobertas recentemente já poderia destravar a economia", continua Koch. A avaliação dos especialistas argentinos é de que a mineração pode ser tão importante para a economia do país quanto à agricultura. "Estamos trabalhando para criar bases sólidas para o setor, muito além de uma visão de curto prazo."
A indústria mineradora latino-americana, no entanto, enfrenta alguns obstáculos para desenvolver todo seu potencial. Hugo Nelson, presidente do Organismo Latinoamericano de Minería (Olami), afirma que há uma judicialização das decisões envolvendo a mineração na América Latina. "Há exemplos na Colômbia, e em outros países, como El Salvador, onde uma decisão judicial abriu a possibilidade de se proibir a atividade mineradora no país", alerta. "Isso causa grande insegurança nos investidores."
Outra potencial ameaça são os conflitos sociais em áreas de mineração. O problema é particularmente sensível na indústria mineradora peruana. A mina de cobre de Las Bambas, um investimento de US$ 10 bilhões, vem sofrendo paralisações por conflitos com as comunidades no entorno.
Segundo o ex-vice-ministro de energia e minas do Peru, Romulo Mucho Mamani, para vencer os conflitos, é preciso convencer a sociedade da importância da mineração, setor que representa 15% do PIB peruano. "As pessoas precisam entender que mineração é ciência, é investimento, é desenvolvimento", afirma. E mesmo com todas as restrições, a demanda por minério vai continuar crescendo em todo o mundo. "Se a América Latina não receber esses investimentos, eles irão para outra parte."
No Brasil, o segmento passa por um momento de reconstrução da imagem, depois do desastre com a barragem da Samarco em Mariana, no ano passado. Além disso, é importante integrar melhor as pequenas mineradoras à cadeia produtiva.
"O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) reúne pouco mais de 100 mineradoras que concentram 90% da produção, mas existem oito mil pequenas empresas no setor, que precisam ter acesso a conhecimento e tecnologia para melhorar suas práticas ambientais e sociais", explica Rinaldo Mancin, diretor de assuntos ambientais do Ibram.
A tendência é de que o desafio ambiental ganhe ainda mais peso para o setor no Brasil, à medida que a fronteira de exploração se volta para a Amazônia. "Teremos que operar em áreas isoladas, com limitações relativas a reservas ambientais, preservação e populações indígenas, mas há um enorme potencial", conclui Mancin.

Valor Econômico, 28/10/2016, Empresas, p. F2

http://www.valor.com.br/empresas/4758619/argentina-quer-atrair-us-20-bi…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.