Estadão do Norte-Porto Velho-RO
07 de Jul de 2003
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia a demarcação de terras indígenas - no Maranhão, Rio Grande do Sul, Paraná, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre -, em Rondônia, a maioria das reservas (já demarcadas e homologadas) continuam invadidas por grileiros, madeireiros e garimpeiros. Inclusive, em alguns casos, com a conivência de funcionários da Funai e dos próprios silvícolas, como tem denunciado, reiteradas vezes, ecologistas, ambientalistas e representantes de diversas organizações não-governamentais.
Para se ter uma idéia da gravidade do problema, na área indígena de Rio Branco - em Alta Floresta, onde habita um grupo de índios das tribo Uru-Eu-Wau-Wau - já foram apreendidos tratores (com pá mecânica e guincho), caminhões (MB - 3 eixos), motosserras, motocicletas, machados, foices e várias armas e munições. Na Funai, em Porto Velho, ninguém quer falar sobre o assunto.
No caso da exploração ilegal de madeiras nas áreas indígenas, o desmatamento existe por falta de uma fiscalização mais ostensiva por parte do Ibama e da própria Funai, como garantem os ecologistas e ambientalistas. Com isso, o ecossistema e biodiversidade amazônidas já estão comprometidas. No Ibama, em Porto Velho, alguns técnicos preferem não comentar nada sobre o desmatamento indiscriminado em Rondônia.
Mas, afinal o que propicia as invasões das terras indígenas? Segundo um técnico da Funai, que prefere não se identificar por temer represálias, "a lei ambiental é muito branda, o que faz com que os invasores, depois de desintrusados, acabam retornando às áreas indígenas". Em sua opinião, "esses crimes ambientais só acontecem com freqüência, devido à fraca atuação do Ibama, no sentido de investigar a procedência das madeiras acondicionadas nos pátios das serrarias".
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