VOLTAR

Área de parque vira favela na zona norte

OESP, Metrópole, p. C4
07 de Fev de 2013

Área de parque vira favela na zona norte
Cerca de 500 barracos foram erguidos desde novembro no local onde deveria ser construído o Parque Municipal da Brasilândia

RODRIGO BURGARELLI

Uma área verde de mais de 310 mil m² na Brasilândia, zona norte, está desaparecendo pouco a pouco. Desde novembro, cerca de 500 barracos de compensado foram erguidos em uma área que havia sido reservada pela Prefeitura de São Paulo para o novo Parque Municipal da Brasilândia. Segundo relatos de moradores do entorno, barracos estão sendo erguidos a cada dia, em ritmo veloz. E o pior: a Prefeitura ainda não sabe como resolver esse problema.
Essa área está marcada como zona de proteção ambiental pelo Plano Diretor Estratégico da cidade, feito em 2002. Em 2008, a criação de um parque ali foi anunciada pela equipe do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). A promessa chegou a ser registrada no plano de metas da última gestão. Apesar disso, a desapropriação do terreno nem sequer foi concluída até agora, mesmo já havendo um decreto de utilidade pública para a área.
Nesse meio tempo, alguns barracos chegaram a ser construídos no local em pelo menos três ocasiões, segundo relatos de moradores. Segundo o líder comunitário Quintino José Viana, de 68 anos, houve invasões em 2005 e 2009, retiradas por agentes da Prefeitura. A mais recente, em novembro de 2012, porém, ainda continua lá. E, de acordo com ele, está crescendo em ritmo acelerado.
"A cada dia tem mais barracos subindo e ninguém faz nada. É algo muito frustrante para nós do bairro, que lutamos pelo parque desde o ano 2000", afirma.
A reportagem esteve no local ontem e, em cerca de 20 minutos, viu dois veículos carregados de ripas de madeira e móveis como sofás e colchões subindo a viela de terra aberta pelos moradores. Os objetos eram descarregados no topo de uma subida íngreme e de lá carregados para dentro do terreno, enquanto o veículo deixava o local.
Funcionários públicos do posto de saúde e da escola municipal ao lado do terreno disseram ao Estado que boa parte desses novos moradores já têm casas nos bairros próximos. "Tem gente que faz o cadastro com o endereço antigo, mas moram ali dentro do terreno", afirmou um deles. Segundo relatos, ali também há gente que deixou o lugar onde morava por causa da obra do Trecho Norte do Rodoanel.
Natureza. A maior preocupação dos moradores do bairro é com o dano ambiental que está sendo causado no terreno. O local ainda tem área de Mata Atlântica nativa e várias espécies de araucária, por estar nas bordas da Serra da Cantareira. Além disso, a região tem cinco nascentes de água e é cortada pelo Córrego do Onça, que inclusive tem uma pequena queda d'água dentro do local.
"Esse ecossistema está sendo ameaçado. Árvores estão sendo cortadas e áreas verdes, ocupadas. Há também poluição e muito lixo nos córregos que cortam o terreno", afirma o vereador Gilberto Natalini (PV), que acompanha a questão do terreno. Ele afirma que vai tentar marcar uma reunião com o secretário de Governo da gestão Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, para tratar do assunto. "É preciso ter uma ação conjunta de vários órgãos para conseguirmos reverter essa ocupação, recuperar ambientalmente a área e encaminhar essas pessoas para programas habitacionais da Prefeitura", diz.
Segundo Natalini, há um problema jurídico que impede uma solução rápida: a Prefeitura não pode continuar a desapropriar um terreno que foi invadido por terceiros nem pode pedir a reintegração de posse, já que o terreno ainda não é dela. Uma solução seria tentar uma brecha da Operação Defesa das Águas, uma parceria entre Estado e Prefeitura para recuperar mananciais e nascentes. "O poder público pode interferir quando a área ocupada é relevante do ponto de vista ambiental", defende.
Espera. A Prefeitura afirmou que a Secretaria do Verde e Meio Ambiente está esperando uma manifestação da Secretaria de Habitação sobre o processo de desapropriação. Segundo a assessoria, parte dos recursos para a compra do terreno já foi destinada. Não há, porém, uma definição de quando a fiscalização municipal visitará o local.

No papel, bairro tem outros três parques previstos

Além do parque que deveria ser feito no terreno que está sendo ocupado, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente tem planos para criar outros três parques na Brasilândia: o Parque Linear Bispo, para recuperar o córrego e diminuir as enchentes recorrentes e dois núcleos de um grande parque para proteger a borda da Serra da Cantareira contra novas invasões. / R. B.

OESP, 07/02/2013, Metrópole, p. C4

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,area-de-parque-vira-favela-…
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,no-papel-bairro-tem-outros-…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.