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Área ambiental sofre sem dinheiro

O Globo, O País, p. 12
14 de Out de 2005

Área ambiental sofre sem dinheiro
De janeiro a setembro, só 21% do autorizado foram liberados para investimentos

Alan Gripp

A contenção nos gastos do governo também atingiu a área ambiental. Do início do ano até o mês de setembro, apenas 21,09% do dinheiro já autorizado para investimentos em projetos de preservação das florestas e da biodiversidade haviam sido liberados, segundo mostra levantamento feito pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) na execução orçamentária do Ministério do Meio Ambiente.
Especialistas dizem que, além dos fenômenos climáticos mundiais, o descontrole sobre o desmatamento da floresta amazônica também pode ter contribuído para a seca - a retirada das árvores reduz a umidade do ar, por aumentar a penetração da luz solar na vegetação. Até agora, 16 municípios declararam estado de calamidade pública. A seca já dura dois meses e o. fantasma da fome começa a assombrar a população ribeirinha, que não consegue plantar nem pescar.
- Os recursos liberados são escassos, o que mostra que o modelo agroexportador predomina sobre os programas de preservação da floresta - analisa Ricardo Verdun, assessor de políticas Indígena e ambiental do Inesc.
0 instituto diz que, entre os programas prejudicados, está o Amazônia Sustentável, que até setembro havia recebido apenas 6,72% dos mais de R$ 60 milhões já autorizados. 0 projeto tem objetivo de implantar um modelo econômico que concilie o desenvolvimento dos municípios e a preservação do meio ambiente.
0 levantamento mostra ainda que o Programa Nacional de Florestas, com R$ 36,62 milhões autorizados para gastos, só teve liquidados 8,76% desse total. 0 governo foi um pouco mais generoso com o programa Prevenção e Combate ao Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais, mas foram liberados menos da metade (44,86%) dos recursos já autorizados.
As ONGs que fiscalizam a execução orçamentária do governo reclamam que, em nome do aperto fiscal, o Ministério do Meio Ambiente foi relegado a um papel coadjuvante em relação aos demais.
- Enquanto isso, a ocupação da floresta e a ação das madeireiras continuam a crescer - diz Verdun.

O Globo, 14/10/2005, O País, p. 12

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