O Globo, Economia, Eco Verde, p. 30
31 de Mar de 2011
Arame e mourão fazem revolução em Paragominas
Enquanto os ânimos continuam exaltados em Brasília, por conta do debate em torno das mudanças no Código Florestal, ruralistas e ambientalistas, "armados" com arame, mourão, conhecimento científico e boa vontade, fazem uma revolução no município de Paragominas, no Pará. Cidade que já foi chamada de Paragobala, por causa dos conflitos de terra. Os resultados: ganhos de produtividade, aumento no faturamento, respeito à lei e preservação ambiental.
Liderado pelo professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, o projeto está completando um ano e terminando a sua primeira fase. Com o apoio das ONGs TNC, Imazon e do Sindicato Rural, foi feito um diagnóstico de todas as propriedades da região. Foram identificadas as áreas com alta e baixa aptidão para a pecuária e as mais propícias para a agricultura.
As maiores oportunidades estão na pecuária, que tem índices de produtividade menores. Lotes com mil hectares, onde eram criadas 1.300 cabeças de gado, receberão 2.000 bois. Índice bem maior do que a média nacional, que é de 1,14 boi por hectare. O espaço remanescente será usado para recuperar reservas legais de floresta e áreas de preservação permanente (APPs).
Outra parte do trabalho será identificar, nestas áreas preservadas, plantas e frutas nativas que têm potencial econômico para a indústria alimentícia ou farmacêutica. O que representará uma nova fonte de receita. Mas quanto custa isso tudo? Alguns críticos do Código Florestal dizem que recuperar áreas degradadas representa uma despesa enorme e inviável para o setor.
Ricardo Rodrigues explica que, em 80% dos casos, basta apenas cercar a área e deixar a natureza fazer a sua parte. E informa: um quilômetro de cerca pronta, feita com arame e mourão, custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
O Globo, 31/06/2011, Economia, Eco Verde, p. 30
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