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Aquecimento vai piorar fome até 2030

OESP, Vida, p. A19
01 de Fev de 2008

Aquecimento vai piorar fome até 2030
Equipe da Universidade Stanford identificou 12 regiões mais afetadas

Carlos Orsi
ESTADAO.COM.BR

A mudança climática prejudicará nos próximos 20 anos a produtividade de culturas importantes para a alimentação humana em algumas das áreas mais pobres do mundo, segundo estudo de pesquisadores do Programa de Segurança Alimentar e Meio Ambiente da Universidade Stanford (EUA). O trabalho, coordenado por David Lobell, foi publicado nesta semana pela revista Science.
Os autores apresentam o artigo como um guia para governos e organizações internacionais direcionarem investimentos na adaptação da produção agrícola à mudança climática.

MAPA DA FOME
Os pesquisadores focalizaram 12 regiões onde, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), vive a maior parte da população desnutrida do mundo. As áreas abrangem grande parte da Ásia, a África Subsaariana, o Caribe, a América Central e do Sul e têm 825 milhões de pessoas desnutridas, 95% do total mundial.
Os autores analisaram 20 modelos teóricos sobre os efeitos do aquecimento global e concluíram que, até 2030, a temperatura média na maioria dessas regiões terá aumentado 1 o C, enquanto as chuvas sazonais em alguns locais, como sul da Ásia, sul da África e Brasil, poderão diminuir. A redução mais intensa de chuvas é prevista para o sul da África, chegando a 10% em 2030.
A equipe de Lobell combinou essas projeções com dados sobre a relação observada entre o clima e cada tipo de cultivo -como soja, arroz, cana-de-açúcar, milho, sorgo, trigo e cevada -e a relevância dessas culturas para a alimentação das populações mais pobres a partir de um "ranking de importância para a fome" (HIR, na sigla em inglês).
A análise revelou duas zonas críticas: sul da Ásia e sul da África. A principal cultura do sul da África, o milho, com um HIR "muito importante% poderá sofrer perdas de mais de 30% nas próximas duas décadas. No caso do Brasil, as maiores perdas previstas, de 15%, afetariam as culturas de trigo e soja. Isso ocorreria no mesmo prazo, mas com probabilidade bem menor que no caso africano. As duas culturas, no caso brasileiro, foram classificadas com HIR "menos importante".

OESP, 01/02/2008, Vida, p. A19

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