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Aquecimento global

Amazonas em Tempo, Meio Ambiente, p. B8
25 de Mai de 2007

Aquecimento Global
Climatologista Carlos Nobre, do Inpe, discute impactos para Amazônia

Renan Albuquerque

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fará hoje, às 8h30, uma palestra no Teatro Usina Chaminé, Centro. O tema será "As mudanças climáticas e suas conseqüências para a Amazônia e rio Negro". A entrada é franca.
Dentre as especificidades a serem abordadas, o climatologista irá situar sua apresentação no que concerne aos impactos do aquecimento global para - a existência e funcionalidade (humana e da fauna e flora) do ecossistema ao longo da extensão do rio Negro.
Outra temática direcionada na palestra tende a ser o problema de afetamento do regime de reprodução dos peixes na Amazônia, caso o aquecimento do planeta Terra ultrapasse 2oC. Sobre esse quesito, Nobre já chegou a afirmar, com base em levantamentos de modelos matemáticos, que se a temperatura terrestre subir 2,5"C a vida aquática na Amazônia pode ser seriamente afetada.
Por esse indicativo, o rio Negro tende a se transformar em um espaço praticamente inabitável para qualquer tipo de peixe nativo da Amazônia. As altas temperaturas também teriam impacto sobre a produção agrícola das populações rurais ribeirinhas da Amazônia, segundo Nobre, que integrou o grupo de cientistas que desenvolveu estudos para compor, o 4o Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Hidrelétricas
A construção das hidrelétricas de Santo Antônio e jirau também tendem a ser um tema abordado na palestra de hoje. isso porque, apesar do rio Negro ser distinto da formação do Madeira (onde a sede das usinas está projetada para ser implantada), a barragem poderá afetar de forma global a biodiversidade amazônica.
Além do mais, segundo Carlos Nobre (que participou do bate-papo UOL na segunda-feira desta semana e abordou o problema), estudos indicam que o ato de represar rios gera a liberação de gás metano para a atmosfera. Sendo que o metano contribui mais para o efeito estufa que o gás carbônico.

Serviço
O que : Palestra 'As mudanças climáticas e suas conseqüências para a Amazônia e Rio Negro'; autor: Carlos Nobre (INPE); Quando: Hoje, às 8H30; Quanto: Entrada franca.

Poluição
Cabeceira do rio Negro sofre com 'frente cocalera'

A bióloga Natália Hernandez, da Fundación Gaia Amazonas, alertou esta semana para as pressões que a frente cocalera está exercendo sobre a bacia do rio Negro, gerando desmatamentos e poluição. O depoimento da pesquisadora foi divulgado no site do Instituto Socioambiental (ISA), entidade que é uma das organizadoras do "Encontro Visões do Rio Babel: conversas sobre o futuro da bacia do rio Negro", que acontece até hoje na Usina Chaminé (Centro).
Segundo divulgação, o alerta é o seguinte. "O desmatamento e a poluição gerados pelo avanço das plantações de coca na Colômbia estão ameaçando a cabeceira de dois importantes afluentes do rio Negro: o Guainia e o Uaupés. No rio Guaviare a .pressão da frente cocalera é ainda maior e, embora não deságüe no rio Negro, está próximo o bastante para também representar motivo de preocupação a maior bacia de águas pretas do mundo".

Efeito estufa
Como o calor provoca impactos

Ao chegar à Terra, parte da energia do sol é aprisionada na atmosfera e isso a mantém "quentinha", a uma temperatura média de 30 graus. É esse efeito benéfico que os cientistas chamam de Efeito Estufa, expressão que tem um sentido mais claro no original em inglês greenhouse effect (Efeito de Estufa de Plantas).
Sem o efeito estufa, não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que conhecemos hoje. 0 problema é que, nas últimas décadas, os climatologistas perceberam que a temperatura média 'do planeta estava aumentando, ou seja, está acontecendo uma intensificação do efeito estufa.
A temperatura média do planeta já subiu 6 graus no século 20 e as projeções indicam que subirá entre 1,4 grau e 5,8 graus até o ano 2100, se nada for feito para deter o processo, segundo informe oficial do portal de internet da Convenção.
Os gases do efeito estufa formam como que uma "redoma de vidro" sobre o planeta, deixando entrar a luz e aprisionando o calor.

Amazonas em Tempo, 25/05/2007, Meio Ambiente, p. B8

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