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Aquecimento é global e o maior nos últimos 100 anos, diz estudo

OESP, Vida, p. A30
11 de Fev de 2006

Aquecimento é global e o maior nos últimos 100 anos, diz estudo
Pesquisadores fizeram medições para descobrir temperaturas máximas através do tempo

Por mais que alguns ainda tentem negar, a comunidade científica internacional se mostra cada vez mais de acordo sobre uma ligação entre o aquecimento global incomum e atividades humanas - como o uso do petróleo, por exemplo.
Uma nova pesquisa caminha nessa direção. Publicada na revista científica mais influente dos Estados Unidos, a Science (www.sciencemag.org), ela mostra que o Hemisfério Norte registrou no século 20 as ondas de calor mais freqüentes e mais influentes de pelo menos os últimos 1.200 anos. Em mais de mil anos, nunca houve uma flutuação tão intensa.
A equipe que conduziu o estudo não é americana, mas britânica, da Universidade de East Anglia. Os cientistas mediram mudanças em anéis de troncos de árvores (método bastante utilizado e confiável para mapear mudanças climáticas), em conchas fossilizadas e em colunas de gelo. As amostras foram obtidas em 14 pontos diferentes do hemisfério, da Groenlândia à Mongólia.
Eles também se voltaram a diários pessoais dos últimos 750 anos escritos por moradores de países como Holanda e Bélgica, relatando o congelamento dos canais. E concluíram que há um aquecimento inédito e recente. "Os últimos 100 anos são mais surpreendentes do que os períodos de grandes flutuações anteriores. O aquecimento é global e afeta quase todos os registros analisados", diz Timothy Osborn, um dos autores da pesquisa.
Validação
Osborn e seu colega climatologista Keith Briffa analisaram medidas de temperatura tomadas desde 1856 para definir quando o aquecimento começou. Em seguida compararam com as outras fontes, datando até o ano de 800 d.C..
As análises confirmaram um período de aquecimento significativo no Hemisfério Norte dos anos 890 a 1170 , o chamado "período de aquecimento medieval". E constataram períodos de resfriamento, como o que ocorreu entre 1580 e 1850 - conhecido como "a pequena Idade do Gelo". Encontrar tais variações climáticas já reconhecidas validou o método deles.
Por isso, a conclusão do trabalho pode ser considerado confiável. Apesar dos períodos anteriores de oscilação, o atual aquecimento do planeta representa a mais longa anomalia de temperatura de qualquer outro tipo em todo esse período - mais do que o aquecimento medieval e a mini-Era do Gelo.
1+1
Qual é a diferença entre o passado e o presente? Osborn e Briffa não quiseram entrar em discussões de causa e efeito, mas elas estão incutidas nas entrelinhas.
Para entender, basta analisar pesquisas que têm sido publicadas recentemente. Uma das últimas data de novembro de 2005 e foi publicada na mesma revista Science. Pela análise de colunas de gelo, ela mostra que os níveis de gás carbônico e metano na atmosfera são os mais altos dos últimos 650 mil anos.
Efeito estufa
O gás carbônico, ou dióxido de carbono, é produzido em grandes quantidades quando combustíveis fósseis são queimados. Ele se acumula na atmosfera, uma vez que demora mais de 100 anos para sumir, e alimenta o efeito estufa.
O efeito estufa, por sua vez, retém a radiação que a Terra recebe do Sol. O resultado é o aquecimento global.
A emissão de gás carbônico cresceu de forma inexorável desde a Revolução Industrial no século 18. Alguns países tentam controlar as emissões. Um dos mecanismos é o Protocolo de Kyoto, acordo global que conta com a participação de países pobres e ricos - mas que não tem em seu quadro de integrantes o maior emissor do mundo, os Estados Unidos.

OESP, 11/02/2006, Vida, p. A30

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