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Aprovada Convenção sobre Diversidade Cultural

OESP, Vida, p. A18
21 de Out de 2005

Aprovada Convenção sobre Diversidade Cultural

Esmagadora maioria aprova texto na Unesco. Para Gil, fato altera influência dos ´grandes padrões internacionais
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) adotou ontem, em Paris, por esmagadora maioria, a Convenção sobre a Diversidade Cultural, que exclui as 'expressões culturais' de cada país das regras que regem o comércio internacional, convertendo a cultura numa exceção que pode receber subvenção dos Estados.
O documento foi aprovado na sessão plenária da 33ª Conferência Geral, por 148 dos 154 países que votaram, com oposição de 2, Estados Unidos e Israel, e 4 abstenções (Austrália, Nicarágua, Honduras e Libéria), anunciou o presidente da sessão, o mexicano Jaime Noualart. 'O que move o mundo é a interação das diferenças (...), suas atrações e desprezos' e 'cada cultura que desaparece diminui a possibilidade de vida', leu Noualart, pondo fim à sessão com um texto do escritor, também mexicano, Octavio Paz.
O ministro Gilberto Gil, que participou ativamente do processo, disse ontem que agora 'os governos e as nações têm um instrumento de promoção e proteção às atividades e aos bens de serviço culturais'. Ele salientou às políticas de proteção ao mercado do audiovisual, dominado hoje por 'grandes padrões internacionais', notadamente o cinema hollywoodiano, e mesmo a área dos conhecimentos tradicionais, a etnobiologia, que deverá ter garantia de proteção.
O texto da convenção estipula que 'as atividades, bens e serviços culturais não devem ser tratados como se tivessem um valor exclusivamente comercial' e autoriza os países a 'tomar as medidas que julgarem apropriadas' para proteger seu patrimônio cultural.
Esperanças e Críticas
Considerada por alguns de seus defensores uma proteção diante do 'imperialismo cultural' americano, a convenção entrará em vigor depois da ratificação de pelo menos 30 países. Seu artigo 20 (são 35) dá a ela o mesmo nível jurídico que o dos tratados bilaterais e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o presidente francês, Jacques Chirac, essa convenção abre caminho para 'a esperança de uma mundialização mais respeitosa em relação à identidade dos povos; é um progresso importante num mundo que necessita proteger a diversidade cultural e organizar o diálogo de culturas com respeito a todos e em conformidade com os ideais da Declaração Universal dos Direitos Humanos'.
A convenção também promove os direitos das mulheres, de vários grupos sociais, minorias e povos indígenas à expressão cultural. Os Estados Unidos lamentaram a adoção do documento e disseram que ele foi 'redigido com pressa', 'pode prejudicar a livre circulação de bens e serviços' e 'legitimar as violações dos direitos humanos'.
'Muitos utilizarão (a convenção) para controlar e não para facilitar a circulação dos bens culturais', denunciou a representante americana na Unesco, Louise Oliver.
'A China e outros países repressores são entusiastas da convenção', escreve o diário The Wall Street Journal, já que ela poderá 'justificar facilmente o fechamento de redes por satélite ou de periódicos em nome da segurança cultural'

OESP, 21/10/2005, Vida, p. A18

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