JB, Informe JB, p. A6
Autor: RIBEIRO, Belisa
20 de Abr de 2004
Apito alto
Embora muitos já tenham rádio, não foi levado em conta pelos índios o apelo feito ontem pelo presidente Lula, em seu programa Café com o presidente, de que mantenham o bom senso os movimentos sociais. Só com promessa de audiência, hoje, do chefe de gabinete da Presidência, por escrito, deixaram o Salão Verde do Congresso. A mensagem presidencial - dirigida nitidamente ao MST - atirou no que viu e acertou no que veria. Talvez, no que verá. Representante dos sem-terra, João Paulo Rodrigues entregou uma bandeira aos indígenas, trocou seu boné por um cocar e fez discurso:
- O protesto é importante para que os indígenas não se tornem os sem-terra de amanhã.
Talvez já tenham se tornado, em termos de estarem aprendendo a gritar para levar. Visitados semana passada, os bororos -vítimas de aculturação há décadas - ganharam apoio do ministro da Cultura, Gilberto Gil, na busca de patrocínio para construir aldeia típica, com centro cultural e hospedagem para turistas.
Os contra também prometem grito. Em Roraima, está pronto protesto para evitar a demarcação em área contínua da Reserva Raposa do Sol. Maior do que o que, em janeiro, fechou até o comércio da capital, desta vez, promete parar o aeroporto e bloquear todas as estradas de acesso ao Estado. É que, ultimamente, ao contrário do que pregou Lula no rádio, é quem aposta no radicalismo que tem acabado vencendo.
JB, 20/04/2004, Informe JB, p. A6
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