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Apicultura estimula preservação ambiental em assentamento sergipano

Incra - www.incra.gov.br
Autor: Daniel Pereira
19 de Mai de 2010

Depois de alguns minutos de caminhada, em um solo encharcado pelas chuvas, começam os preparativos para mais um dia de trabalho. Nas mãos, em vez de enxadas e foices, botas, luvas, macacões e um fumegador.

Do interior de diversas caixas de madeira, um zumbido forte anuncia o bom andamento do trabalho. É assim que o grupo de agricultores do assentamento Padre Josimo Tavares, em Itaporanga D´Ajuda (SE), distante 40 Km da capital Aracaju, começa a colher os primeiros frutos da sua mais nova atividade produtiva: a apicultura.

Integrado a um projeto inovador, implementado por um convênio firmado entre aapicultura4_2 Superintendência Regional do Incra em Sergipe e a organização não-governamental Instituto Bioterra, o assentamento é o primeiro do Estado a incorporar a apicultura como instrumento para a recuperação ambiental.

"Além da possibilidade de gerar renda, a apicultura também é uma atividade que auxilia muito no processo de recuperação ambiental. A abelha, que é o inseto que mais poliniza, também precisa da flor, da mata para se alimentar. Assim, para manter a atividade, é preciso preservar", explica a bióloga do Instituto Bioterra, Ivana Silva Sobral Oliveira, de 27 anos, uma das responsáveis pelo acompanhamento da atividade no assentamento.

Com um amplo trabalho de conscientização ecológica, o projeto, em pouco tempo, transformou o grupo de apicultores assentados em verdadeiros guardiões da mata que cerca assentamento. "Nós já botamos para correr um grupo que veio de fora para tentar tirar lenha da nossa mata. A gente não tira e não deixa tirar. Precisamos proteger essa área para nós e para os bichos, porque se a gente deixar desmatar, isso vai prejudicar todo o nosso trabalho", afirma Luis Fontes dos Santos, de 45 anos, um dos apicultores do assentamento.

Geração de renda

Iniciado em meados de 2009, o projeto também foi implantado com o objetivo de apresentar aos agricultores uma alternativa para a geração de renda. "Iniciamos esse trabalho com apicultura no assentamento, porque essa é uma atividade que pode aliar preservação ambiental e geração de renda. É um projeto que requer um investimento baixo e que pode deixar algo importante, ajudando na manutenção das famílias", explica Ivana.

Para darem início às criações de abelha, visando à produção de mel, os agricultores foram capacitados em um curso ministrado por um representante da Federação Apícola de Sergipe e receberam todo o material necessário para a manutenção da atividade, com caixas para a formação das colméias, fumegador, cera e um kit com equipamentos de proteção.

Uma estrutura que, aliada aos bons exemplos registrados em outros assentamentos, estimula os agricultores a apostarem no sucesso do trabalho a médio e longo prazo. "A gente sabe que no começo é difícil. Demora um ano para começar a dar mel. Mas é um trabalho que dá dinheiro e que vai ajudar muito a gente mais para frente", analisa dona Maria Ferreira da Silva, de 71 anos, uma das assentadas do grupo de apicultores.

Mesmo no período de adaptação das abelhas, os assentados já começam a obter os primeiros litros de mel, o que alimenta os planos para a ampliação do trabalho. "Ainda é cedo, porque as abelhas estão se adaptando, mas, mesmo assim, já começamos a tirar um pouco de mel. Por enquanto, a quantidade vai para a gente mesmo, para as nossas famílias. Mas, mais para frente, vamos investir parte dos créditos e tentar aumentar a produção para vender para fora", afirmou dona Maria.

Com o forte envolvimento dos agricultores e os bons resultados iniciais, o projeto implantado no assentamento Padre Josimo Tavares poderá servir como modelo para ações de recuperação e preservação ambiental a serem desenvolvidas em outras áreas de reforma agrária de Sergipe. "Esse é um projeto que desperta a consciência ambiental, oferece uma alternativa de renda para o assentado e, ainda, auxilia no processo de regularização ambiental, facilitando a emissão de licenças para as áreas de reforma agrária. Sem dúvida, é um trabalho que pode servir como modelo para outros assentamentos do estado", analisa Cléber Oliveira da Silva, de 32 anos, engenheiro florestal, do Núcleo Ambiental do Incra em Sergipe.

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