Amazonia.org.br
Autor: Renata Moraes
11 de Out de 2006
Entre as áreas protegidas da Amazônia Legal, são as Áreas de Proteção
Ambiental (APA) que apresentam maiores índices de desmatamento. A
porcentagem média da retirada florestal nesses territórios é de 20%,
contra 1,2% em Reservas Indígenas e 1% em Unidades de Conservação de
Proteção Integral. "Isso acontece porque não estão sendo implementados
os planos de manejo, indispensáveis para essa categoria de unidade de
conservação", diz o pesquisador Leandro Ferreira, do Museu Paraense
Emílio Goeldi.
Diferentemente de Terras Indígenas e Reservas Extrativistas (Resex), nas
quais vivem populações tradicionais com fortes vínculos com o território
e que desenvolvem atividades menos agressivas, as APAs costumam ser
criadas em regiões de alta complexidade social, a fim de fazer um
ordenamento sócio-ambiental conciliando atividade econômica com
preservação da natureza. No entanto, a simples determinação e
conseqüente nomeação de um território como área protegida não resulta em
diminuição do impacto dessas atividades.
Ferreira defende que os planos de manejo, que envolvem o zoneamento da
unidade, educação ambiental, a determinação das áreas que podem ou não
ser exploradas, criação de postos de fiscalização sejam implementados de
imediato. "Mas falta dinheiro para isso, essas áreas precisam de maior
repasse federal e estadual. Não se faz conservação ambiental sem
recursos", diz o pesquisador.
*Mapeamento de Ucs na Amazônia*
A situação preocupante do desmatamento dentro de áreas protegidas foi
constatada em um estudo que está sendo feito por Ferreira e pelo ecólogo
Eduardo Venticinque. Os dois analisaram 426 das 727 áreas sob proteção
legal (Unidades de Conservação de Proteção Integral, Uso Sustentável -
em que se encaixam as Resex e as APAs- e as Terras Indígenas) da
Amazônia. Foi comparado o desmatamento real dentro das áreas protegidas
com o que seria esperado de acordo com o desflorestamento no entorno.
O mapeamento revelou realidades preocupantes, como no Maranhão, em que
17 das 20 áreas protegidas não conseguem conter o desmatamento, e casos
contraditórios de unidades em regiões turbulentas como a Terra do Meio
(PA) ou próximas a rodovias que estão obtendo êxito na contenção da
retirada florestal. Mas destacam a predominância do desmatamento nas
APAs: "na maioria delas não há sequer uma demarcação territorial,
ninguém sabe onde começa e termina, e isso é apenas o primeiro passo
para o plano de manejo", conta Ferreira.
O levantamento foi feito por meio do cruzamento de mapas digitais com
dados de desmatamento até 2004 do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). A conclusão foi que 62,3% das Ucs tinham um
desmatamento menor do que as estimativas para caso fossem áreas comuns,
o que endossa tese da eficácia das Ucs.
Os dados preliminares da pesquisa, que será concluída no final do ano,
serão apresentados em uma reunião em Brasília, nos dias 17 e 18 de
outubro. Estarão presentes os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da
Ciência e Tecnologia (MCT) e entidades representantes da sociedade
civil, como as ONGs Greenpeace e Amigos da Terra. "Essas informações
poderão nortear políticas públicas dos governos estaduais", diz Ferreira.
Renata Moraes
11/10/2006
*Local:* São Paulo - SP
*Fonte:* Amazonia.org.br
*Link:* http://www.amazonia.org.br
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Andreza Andrade
Programa Rio Negro
Instituto Socioambiental
São Gabriel da Cachoeira-AM
(97)3471-1156 / 3471-2182
www.socioambiental.org
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