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Aparelho de ultrassom melhora atendimento médico no Alto Rio Negro

ISA - NSA
Autor: Andreza Andrade
20 de out de 2006

Os médicos e enfermeiros que atuam no noroeste amazônico podem, pela primeira vez, submeter a população indígena a exames complexos e diagnósticos imediatos de várias doenças que antes só podiam ser identificadas em centros urbanos distantes das aldeias. As gestantes têm sido as maiores beneficiadas pelo novo aparelho.

Uma boa notícia - para variar - sobre o atendimento da saúde indígena no Brasil vem de uma das regiões onde os problemas nessa seara estão longe de acabar. Graças a um convênio entre a Casa Civil, por meio do projeto Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Distrito Sanitário Especial Indígena do Rio Negro (Dsei-RN) adquiriu um moderno aparelho de ultrassonografia portátil. Com ele, os médicos e enfermeiros que atuam nesta região do noroeste amazônico podem, pela primeira vez, submeter a população das aldeias a exames complexos e diagnósticos imediatos de doenças renais, miomas, alterações na tireóide, cirroses avançadas ou mesmo cânceres em fase de metástase.

O projeto tem o objetivo de levar para comunidades indígenas ou isoladas aparelhos que possibilitem a realização de exames clínicos com certa complexidade que somente podem ser realizados em centros de referência localizados em grandes cidades. Outros tipos de aparelhos, como o eletrocardiograma, também foram doados por meio do convênio. Além da realização local de exames feitos, o projeto também prevê que os aparelhos possam enviar, via satélite, imagens dos exames armazenadas em um software para centros de referência em todo país. Assim, é possível promover a discussão com profissionais dos ramos da medicina relacionados aos diagnósticos, possibilitando a formação de um segunda opinião médica mesmo sem a presença 'in loco' de especialistas.

O ultrassom vem sendo utilizado há cerca de dois meses nas áreas indígenas do Rio Negro. Para o médico Oscar Soares, médico do Dsei-RN e responsável pela manipulação do aparelho, as gestantes têm sido o principal público beneficiado. "Já realizamos cerca de 150 exames em área indígena a maior demanda é de mulheres gestantes. Estamos tentando fazer pelo menos um pré-natal de ultrassom em cada gestante no Rio Negro", diz. Para atingir essa meta Oscar afirma que os principais obstáculos são a extensa região a ser coberta, a existência de um único aparelho e o fato dele ser o único habilitado para manipulá-lo. Além das gestantes, o médico informa que existem outros tipos de doenças diagnosticadas em menor número como as patologias hepáticas e renais. "Quando podemos ver a imagem da patologia, a precisão do diagnostico é imediata e isso permite que o tratamento seja agilizado".

Oscar ressalva que a eficácia do aparelho em áreas indígenas deve ser avaliada após pelo menos seis meses de uso, mas diz que já é possível aferir mudanças positivas relacionadas à sua utilização, como a diminuição do número de pacientes enviados ao centro de referência local para fazer tratamento clínico. O médico conta que antes da chegada do aparelho ao Alto Rio Negro, os pacientes tinham que se deslocar até São Gabriel da Cachoeira, principal centro urbano da região, e mesmo até a capital Manaus, para realizar um simples exame de ultrassonografia. "A situação causava transtornos econômicos para as famílias que tinham que acompanhar os pacientes, além de outros problemas, pois a média de espera para a realização desses exames é de mês e meio, e a ausência prolongada das pessoas desequilibra as redes familiares de trabalho", relata o médico. Com o novo aparelho, diz ele, somente pacientes com doenças mais complexas é que precisam ir para a cidade.

A resistência dos índios diante de um novo exame também tem sido superada por um trabalho de informação na língua local executado pelos funcionários do Dsei-RN em parceria com as lideranças das comunidades, que explicam a função do aparelho e como é sua aplicação. Apesar das melhoras, os responsáveis pelo atendimento médico no Rio Negro estão preocupados com alta umidade da região - temem que ela danifique o aparelho -, e o custo da manutenção do mesmo, que é extremamente alto. Além do Dsei Rio Negro, apenas o Dsei Yanomami, em Roraima, foi contemplado pelo convênio e recebeu um aparelho de ultrassom semelhante que custa, em média, 50 mil dólares.

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