OESP, Fórum dos Leitores, p. A2-A3
Autor: CHIPP, Hermes
10 de Mar de 2011
Apagões
Sobre a reportagem Grandes apagões viram rotina no Brasil (28/2, B1), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) esclarece que: 1) a matéria afirma que neste ano, até 22/2, houve "14 grandes ocorrências" no Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa quantidade, no entanto, se refere ao número total de ocorrências com algum corte de carga e, como detalhado nos relatórios públicos do ONS que serviram de base para a reportagem, elas têm tamanhos e impactos diferentes sobre os consumidores. Dez das ocorrências tiveram cortes de carga abaixo de 500 MW; duas se situaram entre 500 MW e 1.000 MW; e só duas ocorrências tiveram cortes de carga superiores a 1.000 MW. 2) Vários critérios podem ser usados para classificar uma ocorrência como relevante. Por exemplo, pode-se adotar como linha de corte 1.000 MW, que corresponde à carga de uma subestação (SE) terminal em São Paulo, onde a rede de alta-tensão é conectada à rede de subtransmissão. Como a demanda máxima do SIN é hoje da ordem de 71 mil MW, isso representa um corte de carga de 1,4% da demanda máxima. Por esse critério, só dois eventos mereceriam ser citados como "grandes": o de 4/2, que afetou toda a Região Nordeste, com corte de carga de cerca de 8 mil MW e tempo médio de recomposição de 3h10min; e a ocorrência na SE Bandeirantes, em São Paulo, em 8/2, às 15h11min, com interrupção de cerca de 1.100 MW por 23 minutos. 3) A matéria apresenta uma classificação das maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, da consultoria PSR, que se baseia só na quantidade de pessoas afetadas. No entendimento do ONS, essa é uma maneira simplista e inadequada de fazer avaliações comparativas do desempenho do SIN com outros países. Para uma comparação mais cuidadosa da severidade dos eventos, devem ser levados em conta vários fatores: o porcentual da população afetada pela ocorrência, em vez do número absoluto de pessoas afetadas, o que permite avaliar melhor o impacto sobre as atividades da região ou país; as características do sistema de geração de cada país (por exemplo, em sistemas térmicos os geradores estão mais próximos dos centros de consumo e, em sistemas predominantemente hidrelétricos, como o brasileiro, as usinas geradoras estão distantes dos principais mercados, o que torna o sistema mais sujeito a ocorrências na rede de transmissão); as características das redes de transmissão de cada país (por exemplo, se são linhas longas ou curtas, se o sistema é radial ou fortemente interconectado, com mais de 100 mil km de linhas de transmissão, como o brasileiro); e o tempo necessário para restabelecer o suprimento (por exemplo, na ocorrência de 4/2, o tempo médio de restabelecimento foi de 3h10min. Nos blecautes ocorridos na Itália e nos EUA em 2003, os tempos de recomposição foram de 28 horas e de três dias, respectivamente).
Hermes Chipp, diretor-geral
jussemara@ons.org.br
Brasília
A repórter Renée Pereira responde: A reportagem classificou como pequenos apagões apenas aqueles ligados à rede de distribuição e que atingem bairros de uma cidade. É questionável dizer que só apagões acima de 1.000 MW ou aqueles que deixam meio país sem luz são grandes. Um apagão de 500 MW, por exemplo, deixa quase 750 mil residências (ou 1,5 milhão de pessoas) sem energia elétrica. Um de 200 MW deixa 300 mil residências sem luz (ou 600 mil pessoas). Além disso, deve-se considerar o efeito que um apagão tem sobre a região. Em Estados como Rondônia e Acre, cuja carga é baixa (em torno de 400 e 500 MW médios), um apagão de 100 MW pode ser considerado de grandes proporções.
OESP, 10/03/2011, Fórum dos Leitores, p. A2-A3
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110310/not_imp689873,0.php
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