Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
03 de Fev de 2006
Em protesto contra a política indigenista do governo federal, cinco antropólogos do Conselho Indigenista da Funai pediram demissão dos cargos. Em nota à imprensa, eles explicaram que a saída é um protesto contra "concepções arcaicas" da Funai em relação aos povos indígenas, tanto no campo da ação política, como no que se refere às orientações dos dirigentes da instituição, sobretudo seu presidente, Mércio Pereira. A direção da Funai não quis se manifestar.
A decisão dos antropólogos prejudica vários processos de demarcação de terras indígenas e aprofunda a crise que atinge o órgão desde que Mércio declarou à imprensa internacional, há um mês, que havia terra demais para os índios brasileiros, em comparação com outras nações. A declaração, mesmo com os esclarecimentos de Mércio, causou grande repercussão no País e no exterior e provocou a demissão do sertanista Sidney Possuelo, da coordenação da área de Índios Isolados da Funai.
Possuelo disse que a declaração de Mércio foi uma traição à causa indígena, às vésperas do julgamento de processos sobre demarcação de reservas indígenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Os antropólogos demissionários são Bruna Franchetto, Gilberto Azanha, Isa Maria Pacheco, José Augusto Laranjeira Sampaio e Rubem Ferreira Thomas de Almeida.
Eles reclamam na nota da burocratização deliberada dos processos administrativos para reconhecimento das terras indígenas, e afirmam que entraves artificiais são usados como desculpa para a paralisação desses processos. Alegam também que preferiram sair porque não lhes compete aconselhar ao governo a substituir o presidente da Funai, medida que consideram necessária depois que ele, conforme afirmam, conclamou o STF a impor limites às reivindicações dos povos indígenas.
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