VOLTAR

Antropóloga deixa Funai após crise em demarcações

OESP, Política, p. A6
08 de Jun de 2013

Antropóloga deixa Funai após crise em demarcações
Marta Azevedo pediu demissão ontem, alegando problemas de saúde; morte do terena Ozie Gabirel em Sidrolândia (MS) foi o estopim

João Domingos / BRASÍLIA

Em meio à crise causada pela morte do índio terena Oziel Gabriel na semana passada, em ação da Polícia Federal e da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul para a desoci pação de uma fazenda em Sidrolândia, a antropóloga Marta Maria Azevedo pediu ontem demissão da presidência da Fundação Nacional do índio (Funai).

A ex-presidente alegou problemas de saúde. Em nota divulgada no início da noite de |ontem, a Funai afirmou que "a decisão foi tomada por ela em virtude da necessidade de realizar tratamento médico, que é incompatível com a agenda de presidenta (do órgão)".

Informações de bastidores, porém, dão a entender que a saída de Marta Azevedo da Funai teve como causa direta o conjunto de incidentes ocorridos nos últimos dias envolvendo comunidades indígenas. A começar pela morte do índio Oziel, que levou um tiro no confronto entre policiais federais e os índios terenas na Fazenda Buriti. Em seguida, o atentado a tiros contra outro terena - Josiel Gabriel - também em Sidrolândia, há três dias. E por fim a resistência dos indígenas de várias etnias contrários à construção de hidrelétricas nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, nos Estados de Mato Grosso e Pará.

Primeira mulher a assumir o comando da Funai, Marta Azevedo tomou posse em abril do ano passado e acompanhava de perto os estudos para demarcação de terras indígenas.

De acordo com o Ministério da Justiça, ao qual a Funai é vinculada, ela será substituída a partir de segunda-feira, interinamente, pela diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Maria Augusta Assirati. Segundo a Funai, Maria Augusta começou a trabalhar no órgão a convite da própria antropóloga que ontem se demitiu.

"Maria Augusta e os demais diretores darão continuidade à missão da instituição na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas, com o compromisso de fortalecimento da Funai, mantendo o amplo diálogo com os povos indígenas, servidores e demais setores do governo",afirmou a nota da Funai.

Poderes. Com a crise instalada nos últimos dias na Funai, o órgão deixará de ser o único a determinar as terras indígenas, como antecipou o Estado no domingo. Outros órgãos e ministérios do governo vão participar das discussões.

As sucessivas invasões de terras produtivas por indígenas e os conflitos em canteiros de obras importantes como a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, acabaram aumentando a pressão sobre o governo por parte dos produtores e de petistas como o senador Delcídio Amaral (MS). A morte do índio terena na semana passada ocorreu durante uma ação em que a PF e a PM cumpriam uma reintegração de posse da área invadida. Desde então, a crise só aumentou.

Uma das soluções para a redução dos conflitos, na visão do governo, seria a formação de um colegiado que poderá dividir poderes com a FunaL A nova instância deverá ter representantes dos Ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Cidades, mais a Embrapa. Juntos, eles poderão auxiliar a Casa Civil na tarefa de estudar um novo modelo de demarcação das terras indígenas.

Em nota que seguiu a praxe nas saídas de auxiliares do governo nas crises, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, agradeceu "a colaboração, o empenho e a dedicação da antropóloga, cuja respeitabilidade acadêmica e indigenista engrandeceu a Funai".

OESP, 08/06/2013, Política, p. A6

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.