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Angra e Paraty fazem despejo do lixo em locais impróprios

O Globo, Rio, p. 13
24 de Jan de 2013

Angra e Paraty fazem despejo do lixo em locais impróprios
Depósitos usados por prefeituras não têm controle ambiental

EMANUEL ALENCAR
emanuel.alencar@oglobo.com.br

Cidades históricas e turísticas, Angra dos Reis e Paraty convivem, desde o início do ano, com um problema diário de 270 toneladas. Ambos os municípios estão despejando seus resíduos em locais inapropriados, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A presidente do órgão, Marilene Ramos, afirma que o destino dos detritos dessas cidades até a semana passada, o aterro de Ariró, em Angra, opera em condições precárias, semelhantes às de um lixão, sem controle ambiental. E a solução emergencial pode vir acompanhada de um alto custo: o aterro de Seropédica, destino recomendado pelo Inea, por ser o mais próximo das cidades, está na verdade distante 116 quilômetros de Angra e 196 de Paraty. Com isso, as despesas para descartar o lixo vão mais do que triplicar, de acordo com estimativas das prefeituras.
Os municípios passaram a ser administrados pelo PT este mês: Carlos José Gama Miranda, o Casé, assumiu em Paraty, e Conceição Rabha foi eleita em Angra. As transições foram marcadas por crises na área de resíduos. Em Angra, Conceição alega ter assumido a cidade sem qualquer contrato firmado para a destinação final do lixo. A empresa que controla o aterro de Ariró, Infornova Ambiental (novo nome da Locanty), cobra uma dívida de R$ 14 milhões do município, que nega o débito.
Como a Infornova passou a impedir a entrada dos caminhões da prefeitura no seu aterro, Angra despeja hoje suas 180 toneladas diárias de detritos num terreno onde funcionava o antigo lixão municipal, ao lado de Ariró. O local não tem licença.
- A Locanty tinha o contrato de coleta de lixo, varrição e recebimento do lixo até junho próximo. Mas em 11 de dezembro ela rompeu com a prefeitura, encaminhou uma carta relatando dificuldades financeiras. Agora, estão nos cobrando R$ 14 milhões. Cadê o contrato? - diz a prefeita Conceição Rabha. - Acredito que a partir da semana que vem vamos conseguir firmar um contrato emergencial com a Ciclus (que opera o aterro de Seropédica). Mandar o lixo para lá vai custar R$ 340 por tonelada, 254% a mais em relação ao custo atual (R$ 96 a tonelada).
ATERRO EM ANGRA PRECISA DE OBRAS
Em Paraty, a prefeitura espera que o aterro de Ariró possa ser liberado o quanto antes pelo Inea, pois a solução de Seropédica implicaria uma despesa mensal a mais de cerca de R$ 300 mil. Paraty produz cerca de 90 toneladas de resíduos por dia.
- Estamos despejando em Ariró, um serviço terceirizado. Hoje, a coleta, varrição e destinação final nos custam R$ 900 mil mensais. Se tivermos que ir para Seropédica, vamos gastar R$ 1,2 milhão. É impraticável levar o lixo para lá - afirma o secretário de Obras de Paraty, Rogério Gil.
O aterro de Ariró foi inaugurado em 2001.
- Ele tem condições de continuar aberto, mas são necessárias obras de recuperação da drenagem do chorume e melhorias na compactação e no recobrimento do lixo - diz Marilene Ramos. - Apenas quando esses problemas forem corrigidos é que o aterro poderá voltar a operar.
Marilene afirma que Paraty e Angra já estão notificadas para dar outra destinação ao lixo. E o centro de tratamento de resíduos licenciado mais perto dessas cidades é Seropédica.
Em nota, a Locanty/Infornova afirmou que operou o aterro privado da região de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, quando transferiu a sua operação a outra empresa. O texto não diz que empresa é essa.

O Globo, 24/01/2013, Rio, p. 13

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