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Angra 3 é discutida sob protestos

OESP, Economia, p. B8
27 de Nov de 2007

Angra 3 é discutida sob protestos
Estatal levou 300 pessoas em torcida a favor da usina; os que eram contra ficaram do lado de fora da audiência

Felipe Werneck

A procuradora da República em Angra dos Reis, Ariane Guebel de Alencar, abriu ontem a audiência pública convocada para discutir o licenciamento ambiental de Angra 3 com um discurso crítico em relação à eventual construção da usina nuclear.

"O Ministério Público Federal (MPF) tem ações contra o licenciamento de Angra 3. Nossa participação na audiência não significa que o MPF tenha mudado seu posicionamento", disse Ariane. Segundo a procuradora, é necessário que "a Constituição seja cumprida, a democracia prevaleça e a discussão seja levada para o Congresso, que é o foro adequado para discutir a pertinência ou não de outra usina nuclear no Brasil".

Convocada pelo Ibama, a audiência foi precedida por manifestações do Greenpeace, que se opõe à energia nuclear. Em defesa da Angra 3, cerca de 300 pessoas vestiam camisetas com o "sim" à expansão da central. Elas foram trazidas de Angra para o Rio em nove ônibus oferecidos pela Eletronuclear, que opera as usinas.

Além do transporte e do uniforme, a torcida pró-Angra 3 recebeu lanche, bandeiras e faixas padronizadas. Virou carnaval. O grupo chegou com instrumentos de percussão em que havia adesivos da última campanha eleitoral do presidente do PT local, Antônio Cordeiro.

"Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O partido não deu um tostão, foram os sindicatos que bancaram. Aqui a gente não coloca a questão partidária, colocamos a defesa de um projeto que acreditamos e confiamos", afirmou Cordeiro, que disse trabalhar como eletricista na central nuclear.

Rafael Ribeiro, da organização não-governamental Sociedade Angrense de Proteção Ecológica, é contra Angra 3. O grupo dele não conseguiu vaga nos ônibus. "Quando eles chegaram, a lista estava completa", disse o presidente do PT de Angra. "Licenciamento não é guerra de torcida, é uma decisão séria. Deveria haver uma discussão nacional para saber se a sociedade topa esse tipo de risco", declarou Ribeiro, do lado de fora do auditório.

OESP, 27/11/2007, Economia, p. B8

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