O Globo, Economia, p. 24
31 de Mar de 2010
Andrade Gutierrez vai participar do leilão de Belo Monte com Eletrobras
Estatal prorrogou o prazo final de formação de consórcios para 7 de abril
Mônica Tavares
A Andrade Gutierrez se inscreveu para ser parceira das subsidiárias do Grupo Eletrobras no leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, com potência instalada de 11.233 megawatts (MW). Porém, ainda não está definido qual das estatais - Furnas, Chesf, Eletronorte ou Eletrosul - será sua sócia.
Até a última segunda-feira à noite, segundo o presidente da Eletrobras, Jose Antonio Muniz, a Camargo Correa e a Odebrecht - que lideram um dos prováveis consórcios - ainda não haviam se candidatado. A Eletrobras prorrogou o prazo da chamada pública para formar parcerias para disputar o leilão, que terminaria ontem, até as 17h do dia 7 de abril.
Muniz disse que houve solicitação das empresas para que o prazo fosse estendido e, como o grupo não estava ligado a nenhum cronograma, isso foi feito:
- É bem claro que estamos querendo o máximo de concorrência possível. Dois (grupos) é bom, três é ótimo e quatro, melhor ainda.
Muniz explicou como será participação da Eletrobras: - Se eles quiserem (consórcios), vamos participar com 49% do grupo.
Até o momento, dois grupos devem participar do leilão
O presidente da Eletrobras rechaçou a possibilidade de ser uma desvantagem fazer parceria com Furnas após o relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o apagão, que apontou várias falhas da empresa. Segundo ele, Furnas é operadora do sistema elétrico brasileiro, nos melhores padrões nacionais e internacionais.
- Isso não pode de jeito nenhum: desqualificar a operação de Furnas - disse Muniz, ao explicar que vai questionar a Aneel.
Até agora, dois consórcios estão se formando para disputar o leilão de Belo Monte: o primeiro com Andrade Gutierrez, Vale e Votorantim, e o outro com Camargo Correa e Odebrecht. O mercado também acena com a possibilidade de a GDF Suez entrar na licitação.
As empresas têm pleiteado ao governo modificações no edital.
Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, trata-se de uma tentativa de melhorar as condições do leilão:
- É normal que se escutem os grandes players, mas não se pode atender tudo porque senão vai onerar o consumidor.
Um dos pedidos, a correção monetária da tarifa-teto, fixada em R$ 83 o megawatt/hora (MW/h), foi praticamente descartado por Tolmasquim:
- O preço deve ser mantido - disse ele.
Um dos pleitos em análise pelo governo é a eliminação do risco de submercado. Isso significa que, se houver um problema na linha de transmissão da usina de Belo Monte para o Sudeste, por exemplo, poderá haver troca de energia entre geradoras, sem custo adicional.
Foi realizada ontem a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). As usinas térmicas ainda estão ligadas por causa da manutenção e revisão das linhas de transmissão desde o apagão do ano passado. Mas os gastos estão menores que esperado: o acumulado de dezembro a março soma R$ 158 milhões, segundo a Aneel e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Essas térmicas devem funcionar até o fim de abril.
O Globo, 31/03/2010, Economia, p. 24
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