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Andrade faz acordo e vai pagar R$ 1 bi

OESP, Política, p. A10
09 de Mai de 2016

Andrade faz acordo e vai pagar R$ 1 bi
Juiz Sérgio Moro homologa leniência do grupo, que admite crimes e se compromete a auxiliar investigações para manter contratos com o governo

Murilo Rodrigues Alves
BRASÍLIA

A construtora Andrade Gutierrez, que integra o cartel de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, fechou acordo de leniência no qual se compromete a ressarcir os cofres públicos em R$1 bilhão. A indenização será paga emparcelas ao longo de oito anos.
O juiz federal Sérgio Moro homologou, na última quinta-feira, o acordo de leniência. Desde outubro de 2015 a Andrade Gutierrez negocia os termos do acordo com o Ministério Público Federal. No início de abril, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Teori Zavascki já havia homologado a delação premiada de 11 ex-executivos da companhia. Entre os depoimentos homologados estão as colaborações do ex-presidente Otávio Marques de Azevedo e do ex-executivo do grupo Flávio Barra.
Zavascki ainda não levantou o sigilo das delações. Mas, segundo o Estado apurou, os delatores afirmaram ter negociado comissões para participação em obras federais. Disseram ainda que recursos de propina abasteceram a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.
Foram citados nominalmente os ministros da Secretaria de Comunicação do Planalto, Edinho Silva, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil na primeira gestão de Dilma e Fazenda no governo Lula). Todos os citados já negaram envolvimento em irregularidades.
Energia. Na delação firmada por Otávio Azevedo, ex-presidente do grupo, a citação a Palocci foi especificamente em relação ao pagamento de propina da obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O ex-executivo apontou pagamento de cerca de R$ 150 milhões em propina na obra da usina, valor referente ao acerto de 1% sobre contratos. O dinheiro teria como destino o PT e o PMDB e agentes públicos ligados às legendas.
A Andrade Gutierrez teve papel central na formação dos consórcios que atuaram nas obras de Belo Monte. Além da empreiteira, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão também participaram das obras. Ao todo, dez empresas faziam parte dessa sociedade para execução dos serviços de construção da unidade. Cada empreiteira ficou responsável pelo pagamento de um porcentual relativo à fatia de obras controlada por ela.
O leilão para construção e operação de Belo Monte foi realizado em abril de 2010. Dois consórcios disputaram o leilão da usina: o vencedor Norte Energia, formado por Chesf, Queiroz Galvão, OAS e Mendes Jr., entre outras, e o derrotado Belo Monte Energia, que tinha como sócios as estatais Furnas e Eletrosul e a empreiteira Andrade Gutierrez - que recebeu uma fatia das obras posteriormente.
Em relação aos ministros Edinho Silva (Secom) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) , as informações referem-se a doações para a campanha de Dilma, em 2014, pelo esquema de caixa 2. A mesma acusação é feita ao tesoureiro da campanha do PT João Vaccari Neto.
Pelas regras do acordo de leniência, a empresa admite ter cometido ilícitos, acerta o valor de uma indenização, implanta programas de controle interno e fornece informações sobre as irregularidades. Em troca, se livra da inidoneidade e pode voltar a firmar contratos com o setor público.
A Andrade Gutierrez afirma que vai continuar colaborando com as autoridades no decorrer das investigações. "Acreditamos que a Operação Lava Jato poderá servir como um catalisador para profundas mudanças culturais, que transformem o modo de fazer negócios no país", afirma o texto de anúncio publicado hoje pela empresa nos jornais.

OESP, 09/05/2016, Política, p. A10

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,andrade-gutierrez-fecha-a…

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