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Analistas atribuem falhas a erros de planejamento

OESP, Economia, p. B3
07 de Fev de 2014

Analistas atribuem falhas a erros de planejamento
Para executivos e especialistas do setor, problema não é de investimento, e sim de gestão do sistema.

Wellington Bahnermann / RIO

O apagão que deixou 6 milhões sem energia em 13 Estados na terça-feira lançou novas dúvidas sobre a confiabilidade do sistema de transmissão em um momento de baixo nível dos reservatórios e de alto consumo. Embora o discurso oficial do governo seja de que não há problemas, especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, afirmam que incerteza regulatória e erros de planejamento deixam a rede de transmissão mais sujeita a falhas em momentos de grande estresse do sistema.
Dados do Ministério de Minas e Energia revelam que não têm faltado investimentos na expansão do sistema. De 2007 a 2013, a rede de transmissão cresceu 27,9%, de 91,294 mil quilômetros para 116,846 mil km. A previsão do governo é de que mais 26,7 mil km de novas linhas entrem em operação até 2016. "Os investimentos para atender a expansão da carga do sistema ocorrem e têm sido satisfatórios nos últimos anos", disse o diretor executivo da Abrate, César de Barros.
Segundo o executivo, o problema seria a gestão dos ativos. Além de afetar a capacidade de geração de caixa das transmissoras, a Medida Provisória (MP) 579 desestimulou investimentos em reforços e melhorias das instalações. Isso porque as em presas que não renovaram as concessões, como a Cteep e as empresas do Grupo Eletrobrás, não têm garantias de que os investimentos serão remunerados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
"Se o reforço não acrescenta capacidade ao sistema, a Aneel não reconhece o investimento e a empresa não tem remuneração pelo ativo." Ciente do problema, Barros disse que a Aneel já indicou ao mercado que vai revisitar a Resolução 433/2011, que estabelece os critérios de remuneração desses investimentos, para atenuar o problema e eliminar os conflitos gerados após a MP 579.
Para o sócio-diretor da consultoria Power Solution Engenharia Elétrica, Octavio da Cunha, o pano de fundo da falha de terça-feira, causado por dois curtos-circuitos que derrubaram o trecho Miracema-Colinas da interligação Norte-Sul deste são os equívocos no planejamento do setor.
Um dos pontos criticados pelo especialista é o atual modelo de leilões de geração. Ao priorizar as fontes de energia mais baratas, o governo deixa de direcionar a expansão da geração para as regiões que mais precisam de energia. Hoje em dia, as usinas mais competitivas são as hidrelétricas e as eólicas, distantes dos principais centros de consumo, o que demanda a construção de longas linhas de transmissão. "Nesse modelo, a transmissão está sempre correndo atrás da geração", argumentou Cunha.
Além de aumentar o risco de descasamento entre a expansão da geração e da transmissão em razão do atraso nas obras de novas linhas e subestações (como tem ocorrido), esse modelo reforça a transferência de grandes blocos de energia para atender à demanda de regiões sem novas usinas, como o Sul do País. Embora otimize os recursos energéticos disponíveis e evite desequilíbrios no sistema, a exportação de grandes blocos acaba potencializando as falhas na rede. Foi o que aconteceu na terça-feira, quando o corte de envio de 5mil MW do Norte afetou até concessionárias na outra ponta, no Rio Grande do Sul.
"O modelo atual de leilão não considera o quanto de energia cada região do País precisa",disse Cunha. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico(ONS),Hermes Chipp, já falou várias vezes sobre a necessidade de se expandir o parque gerador no Sul do País, especialmente novas térmicas capazes de gerar na base do sistema.

OESP, 07/02/2014, Economia, p. B3

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