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"Análise sociológica da educação escolar indígena em Roraima nas décadas de 1990 a 2000

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Roseli Bernardo S. Santos* Jonildo Viana dos Santos** Everto
24 de Jul de 2005

De acordo com os fatos históricos a formação do processo sócio-educativo de Roraima, não difere do modelo educacional introduzido pelos europeus, nas demais regiões brasileiras relacionado a um sistema de dominação, centrado no processo de modos de produção escravista ao mercantilismo pré-capitalista imperando nas mais longínquas fronteiras da Amazônia brasileira. Dessa forma o currículo para os educandários indígenas seguiram os mesmos padrões adotados pela cultura europeizada.
O padrão educacional instituído em Roraima desde de sua formação no século XVII, tem marcado em suas etapas históricas as relações de poder entre igreja católica, fazendeiros e índios, habitantes históricos dessas terras. A igreja por sua vez tinha como proposta o ato de civilizar os índios para transformá-los em cristãos produtivos a partir de sua visão pré-capitalista, e obedientes à palavra de Deus.
Nessa relação à formação ideológica entre índios e igreja, teve como resultado um índio escravo (vaqueiro, remeiros, farinheiros, etc.), temente aos castigos de Deus e dos não-índios (negação da identidade: catequizado, batizado e tendo um nome nacional), membro da "sociedade civilizada" local, que mais tarde se tornaria um trabalhador semi-escravo.
Nesse contexto histórico-social, verifica-se que as relações políticas e econômicas têm fragilizado o sistema educativo nos dias atuais decorrente da forma de ocupação e dominação européia. Entretanto esses elementos provocaram reações para possíveis mudanças de pensamento nas últimas décadas, pautados em concepções de aprendizagens que garantiram a autonomia do conhecimento e análise da realidade, como princípio de transformação social.
As transformações resultantes de movimentos sociais organizados entre as décadas de 1970 a 1980, rompem com os paradigmas das escolas liberais, nesse período os grupos étnicos reivindicam além do direito as terras, uma educação escolar que garanta atendimento às diferenças culturais das comunidades indígenas. Neste cenário Roraima por apresentar uma diversidade étnica significativa, foi palco das discussões acerca da desta necessidade organizacional. Contudo até os meados dos anos 1990, eram estabelecidas pela Secretaria de Educação do Estado de Roraima, listagens de conteúdos dissociados da realidade cultural das comunidades indígenas.
Hoje as organizações indígenas, seus representantes e gestão escolar, buscam construir suas matrizes curriculares numa perspectiva intercultural em parcerias com instituições educacionais, que tem se preocupado com a problemática de um currículo descontextualizado da realidade cultural das escolas indígenas visando mudanças qualitativas.
*Professora do ISE-RR; **Professor e Mestrando em Educação na UFAM; ***Professor do CEDUC-UFRR.(

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