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Analfabetismo persistirá por 10 anos

OESP, Vida, p. A20
05 de Nov de 2004

Analfabetismo persistirá por 10 anos
Taxa de alfabetização cresce entre 1992 e 2002, mas ritmo ainda é insuficiente; desigualdades regionais são o maior problema

Karine Rodrigues

A meta de erradicar o analfabetismo estabelecida pela Constituição Federal de 1988 está longe de ser conquistada. Os números da pesquisa, na avaliação da Coordenadora de Indicadores Sociais do IBGE, Denise Kronemberger, mostram que vai ser preciso ainda mais uma década para o País chegar lá.
A taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade no Brasil subiu entre 1992 e 2002, passando de 82,8% para 88,2%, mas ela considera que é um ritmo ainda muito lento para concretizar a universalização em curto e médio prazo.
A comparação dos dados por Estado mostra uma característica que vem se repetindo nos levantamentos realizados no Brasil: as intensas desigualdades regionais.
A Região Nordeste tem uma taxa de alfabetização de 76,6%, bem abaixo da registrada no Sul (93,3%). Nos dois extremos, estão Alagoas, com 68,8%, e Rio de Janeiro, com 94,9%. São Paulo vem em quarto lugar, com 94,1%, atrás de Santa Catarina (94,5%) e do Distrito Federal (94,3%).
Na análise por raça, os números mostram que as diferenças vêm diminuindo no período entre 1992 e 2002, mas ainda são significativas.
No primeiro ano, a taxa de alfabetização entre brancos era de 89,4%, contra 74,3% de pretos ou pardos. No último, o mesmo índice era de 92,5%, contra 82,8%.
ESCOLARIDADE
Apesar de um aumento de mais de 20% entre 1992 e 2002, Denise considera que a taxa de escolaridade no País, que expressa a quantidade média de anos de estudo para a população de 25 anos ou mais, está muito abaixo da ideal, que é de 11 anos, tempo necessário para a conclusão do ensino médio completo.
A média nacional é de 6,1 anos."É uma quantidade inferior até ao necessário para a conclusão do ensino fundamental, ou seja, oito anos", ressalta a pesquisadora do IBGE.
Distrito Federal (8,5), Rio de Janeiro (7,4) e São Paulo (7,1) estão acima da média nacional, de acordo com o estudo realizado pelo IBGE.
Assim como a taxa de alfabetização, também existem desigualdades de raça na análise dos dados sobre escolaridade. Em 1992, a diferença era de 2,3 anos de estudo a mais para brancos, na comparação com pretos e pardos. Dez anos mais tarde, a diferença foi reduzida para 2,1 anos de estudos.
INTERNET
A distância que ainda separa o Brasil da erradicação do analfabetismo não o tem impedido de apostar em novas tecnologias na área educacional. Entre 1999 e 2002, o número de escolas do ensino fundamental com acesso à internet subiu quase quatro vezes e atingiu 12,4% do total de estabelecimentos. No caso das instituições de ensino médio, o aumento foi um pouco menor, mas ainda significativo: passou de 4.103 para 11.204, representando 49,7% das escolas.
São Paulo lidera a lista de escolas do ensino médio dotadas de internet, com uma cobertura de 94,4% do total. Segundo a Secretaria Estadual da Educação, o projeto de universalização da informática começou em 97, com 994 salas de aulas plugadas. Hoje, já há unidades de ensino com acesso por banda larga.
Já Roraima apresenta apenas 13% dos estabelecimentos ligados conectados à rede mundial de computadores. Todos os municípios do Nordeste trazem índices abaixo de 35%, com exceção do Ceará, que fica em segundo lugar no ranking nacional com 72,3%.

OESP, 05/11/2004, Vida, p. A20

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