O Globo, Rio, p.21
25 de Mai de 2004
Ampliação do Parque Nacional da Tijuca será tema de debate amanhã
Tulio Brandão
A ampliação do Parque Nacional da Tijuca será discutida amanhã em consulta pública organizada pelo Ibama no Centro de Visitantes da Floresta da Tijuca. A área será ampliada em três pontos - Serra dos Pretos Forros e Morro da Covanca; Vila Rica (próximo à pedra do Andaraí); e Parque Lage - e corrigida em trechos marginais do parque. Ao todo, o parque ganhará um acréscimo de cerca de cinco milhões de metros quadrados, o que corresponde a cerca de 15% de seu tamanho original.
Os administradores do parque - Celso Junius, da prefeitura do Rio, e Sônia Peixoto, do Ibama - acreditam que não haverá obstáculos até a aprovação da ampliação, prevista para acontecer a tempo da Semana do Meio Ambiente, no início de junho. Após a consulta pública, o processo de ampliação será encaminhado para a Diretoria de Ecossistema do Ibama, em Brasília, e depois à Presidência da República, para a assinatura do decreto presidencial.
- Vamos colher sugestões na consulta - diz Junius.
Os administradores acreditam na aprovação da ampliação sem ressalvas, mas explicam que, se alguma área ficar de fora, terão fazer um novo plano. A área que poderá causar mais polêmica é a do Parque Lage, onde há oposição à idéia de anexação ao parque.
Parque perde um quilômetro de mata por ano
Em dezembro de 2003, O GLOBO antecipou o projeto de ampliação do Parque Nacional da Tijuca, que previa o acréscimo da área relativa ao Morro da Covanca e à Serra dos Pretos Forros, além do Parque Lage. Foram incluídos no projeto de acréscimo áreas de correção e um local conhecido como Vila Rica, próximo à Pedra do Andaraí.
A área será ampliada para conter o processo histórico de degradação do entorno do parque. A pressão sobre o Maciço da Tijuca já foi medida pelo Laboratório de Geo-Hidroecologia (GeoHeco) da UFRJ. Estudos mostraram que a perda florestal de 1984 a 1996 foi de um quilômetro por ano. Atualmente, o parque sofre com ameaças como favelização, loteamento irregular, problemas de segurança pública, caça irregular de animais silvestres e incêndios.
Atualmente, o Parque Nacional da Tijuca é composto pela Floresta da Tijuca, pela Serra da Carioca e pelo Maciço da Gávea. Com o acréscimo das novas áreas, a unidade passará a ter cerca de 39 milhões de metros quadrados (3.953 hectares).
Estado terá geoparque
O Departamento de Recursos Minerais (DRM), da Secretaria estadual de Energia, dará ao Parque Municipal de Nova Iguaçu o título de geoparque. O título será concedido em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, com base nas características estabelecidas pela Unesco para a classificação dos geoparques: áreas com relevantes acidentes geológicos, como, no caso de Nova Iguaçu, rochas típicas de erupções vulcânicas.
Além de cachoeiras, lagos naturais e mirantes, o parque tem a cratera de um vulcão extinto. A área de 1.100 de hectares está localizada no maciço do Gericinó, entre as serras de Madureira e do Mendanha. O Maciço de Gericinó-Mendanha integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, homologada pela Unesco em 1992. O DRM está elaborando a sinalização de trilhas, rochas, lagos e cachoeiras para explicar os fenômenos geológicos do parque, que também é unidade de conservação de Mata Atlântica.
O Globo, 25/05/2004, Rio, p. 21
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