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Amigos do Verde incentiva participação da comunidade na preservação do meio ambiente

ABN News - www.abn.com.br
08 de mai de 2010

Cléber Luiz Ribeiro, 47, transformou suas duas paixões, o futebol e a sala de aula, nos principais recursos para cumprir a promessa que fez a si mesmo: lutar para mudar o rumo da vida de jovens da periferia da zona sul de São Paulo. Faz isso por meio da sua atividade profissional, professor de Português da rede pública de São Paulo, e da atuação voluntária de instrutor de escolinha de futebol no Parque Ecológico Guarapiranga.

O projeto foi idealizado após uma tragédia familiar, no final dos anos 1980, quando o seu irmão foi morto num confronto com a polícia. "Ele se envolveu com drogas, por falta de opção de lazer, e acabou assim", lamenta Ribeiro.

Enraizada na tristeza da perda e na indignação com a injustiça social, a ideia da criação da escolinha voluntária que comanda encontrou espaço de desenvolvimento no parque público e reconhecimento do Estado com o programa Amigos do Verde, que a Secretaria do Meio Ambiente acaba de lançar.

Trata-se de um programa oficial de voluntariado, voltado às Unidades de Conservação do Estado. O objetivo de sua criação está vinculado a iniciativas como a de Ribeiro. "Ele sistematiza e estrutura internamente essa participação, que já acontece há muito tempo", explica a gerente de ecoturismo da Fundação Florestal, Ana Carolina Lobo. Ela ressalta, no entanto, que os principais objetivos são o incentivo do envolvimento da sociedade na conservação do meio ambiente e a criação de um modelo de gestão participativa. "Esse tipo de atividade é um grande exercício de direitos e deveres do cidadão em relação ao bem público e incentiva o desenvolvimento de uma cultura de preservação", considera.

Atividades voluntárias

Ao mesmo tempo em que organiza a atuação voluntária, o Amigos do Verde confere reconhecimento e registro aos que doam seu tempo para uma causa coletiva, ajudando a preservar o meio ambiente. Permite ainda o acolhimento do trabalho de pesquisadores que já atuam dentro dos parques, enriquecendo o conhecimento sobre a biodiversidade.

Para ser Amigo do Verde basta ter vontade e mais de 14 anos - menores de 18 precisam de autorização dos responsáveis. Pessoas jurídicas que atuam na área de conservação também podem participar. Os candidatos a voluntários escolhem o parque em que desejam atuar e determinam o tempo que podem dispor.

Entre as atividades abertas à participação estão as de educação ambiental, prestação de informação aos visitantes, monitoria ambiental, apoio na manutenção e implementação de trilhas e monitoramento de impacto, entre outras. A Fundação Florestal analisa todos os cadastros dos voluntários e firma um termo de adesão. Ao concluir a participação no programa, o Amigo do Verde recebe certificado de comprovação e reconhecimento da sua ação voluntária, que tem validade, inclusive, como cumprimento de estágio obrigatório.

Diferencial

Embora a atividade de Ribeiro não esteja diretamente relacionada com o meio ambiente, tem abrigo no Amigos do Verde, porque acontece numa unidade de conservação e, por isso, incentiva o contato com o meio ambiente. Assim ocorre com as oficinas de teatro, ioga, e com o atendimento de biblioteca, por exemplo, que também estão presentes de forma voluntária no Parque Ecológico do Guarapiranga.

Essa unidade de conservação, aliás, há bastante tempo tem o apoio de voluntários. "Lá, o processo se deu de forma espontânea, por ser uma unidade diferenciada, ou seja, de características urbanas", diz Ana Carolina.

Gestor do Guarapiranga desde a sua inauguração, há 11 anos, Marco Antonio Lucena diz que o voluntariado é o diferencial no atendimento do parque. "Logo de cara abri o espaço para as pessoas desenvolverem suas atividades, mostrarem arte, talento e convicções. E isso garante o bom funcionamento", afirma.

O professor de futebol foi o primeiro. Propôs a escolinha ao gestor pouco depois que o parque começou a funcionar. Para ele, era importante comandar a atividade num local público, na região em que mora, e, para Lucena, a proposta da escolinha daria uma ocupação disciplinada ao campo de futebol. "O trabalho dele não é só com a bola. Ele conhece cada um dos garotos e tem o cadastro de todos", conta o gestor.

"Faço a ficha deles, mantenho contato com a família, e todos estudam", completa o treinador. No momento, o grupo atendido é composto por 58 garotos, de 12 a 17 anos. O time tem nome, camisa e participa de vários eventos. "Meu trabalho é por amor ao esporte e pela causa social. É muito gratificante ouvir dos meninos que, se não estivessem aqui, estariam na rua", afirma o fundador do `Manchester Nova Geração`, campeão da Primeira Copa da Fundação Cafu.

Os treinos ocorrem duas vezes por semana e, no terceiro dia, há jogo. "Aqui, o que eu mais sinto falta é não ter material esportivo e parcerias para levar os garotos ao Museu do Futebol, ao teatro, para assistir a uma orquestra, entre outros eventos. Agora, com o programa, talvez fique mais fácil", torce o professor.

Para ser voluntário

O programa Amigos do Verde abrange a atuação voluntária em 89 Unidades de Conservação (UCs) terrestres e marítimas paulistas, entre as quais Parques, Estações Ecológicas, Florestas e Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Administradas pela Fundação Florestal, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, elas totalizam 4,5 milhões de hectares de área.

As atividades voluntárias previstas no programa são prestação de informações e apoio aos visitantes, monitoria ambiental, manutenção de trilhas, atrativos e instalações, trabalhos administrativos, desenvolvimento de projetos de educação ambiental e pesquisa, participação em grupos de busca e salvamento e de combate a incêndios, ações de recuperação de áreas degradadas, prestação de suporte e apoio à comunidade do interior e/ou entorno das unidades de conservação, auxílio na implantação de projetos de manejo nas unidades e em tarefas relacionadas aos planos de manejo. Interessados podem cadastrar-se para participar ou obter mais informações no site www.fflorestal.sp.gov.br/amigosdoverde

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