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Ameaça sobre a Amazônia e os indígenas qualifica Raoni ao Nobel, diz Villas-Bôas

Valor Econômico - https://valor.globo.com/brasil/noticia
Autor: VILLAS-BOAS, André
26 de set de 2019

Ameaça sobre a Amazônia e os indígenas qualifica Raoni ao Nobel, diz Villas-Bôas
Cacique sempre foi coerente ao longo de sua vida inteira, afirma secretário- executivo do Instituto Socioambiental

Por Daniela Chiaretti* - Nova York 26/09/2019 17h25

"Raoni é um líder que pertence a uma geração de lideranças que já se foi", diz o indigenista Andre Villas-Bôas, secretário-executivo do Instituto Socioambiental (ISA).
"É um líder simbólico, respeitado como um guerreiro caiapó que sempre se manteve fiel às suas tradições e à defesa do meio ambiente", segue Villas-Bôas, que tem grande experiência em trabalhos com povos indígenas, especialmente no Xingu.
Raoni Metuktire nasceu em Mato Grosso. Estima-se que tenha mais de 86 ou 87 anos. Usa seu famoso disco cerimonial desde os 15 anos, estima-se.
O caiapó é da geração do período do contato com os brancos, na década de 50. "Ele era um jovem líder que se encantou com os Villas Boas [os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo] ao virem para o Parque Indígena do Xingu", conta o indigenista do ISA.
Raoni trouxe com ele os caiapós do seu grupo, e se estabeleceram no Xingu. Outros grupos caiapós ficaram no Pará e em Mato Grosso.
Alguns outros grupos, incentivados pelos governos militares, conta Villas-Bôas, tiveram experiências com garimpo e extração de madeira. Não é o caso de Raoni.
"Ele sempre foi coerente ao longo de sua vida inteira. Sempre teve o discurso de proteção do meio ambiente, da floresta, do modo de vida e da cultura indígena. Sempre foi contrário ao desmatamento, ao o que os brancos fizeram no entorno do Xingu", diz o indigenista. "Esta coerência foi o que o alçou ao reconhecimento como personalidade internacional".
Nos anos 1980, Raoni conheceu o roqueiro Sting, "que enxerga nele uma personalidade contemporânea, com as preocupações do mundo que começam a se desenhar, de sustentabilidade do planeta", conta. Neste momento, Raoni torna-se um porta-voz da defesa dos povos indígenas e da floresta.
Com Sting, Raoni percorreu a Europa, denunciando os planos do governo brasileiro de construir a usina de Caparao, no Xingu. Os dois se reencontraram novamente em São Paulo, há 10 anos, por ocasião do início dos planos do governo Dilma de construir a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
"Claro que Raoni é líder em vários sentidos", diz Villas-Bôas. "É a mais importante liderança simbólica da diversidade cultural dos povos indígenas do Brasil".
Com mais de 250 diferentes etnias indígenas, o Brasil tem várias lideranças indígenas, e Raoni está entre as mais respeitadas. "O Brasil não tem uma etnia hegemônica" e, portanto, não tem uma única liderança indígena.
Com seu discurso na ONU e a deselegância com que tratou Raoni, o presidente Jair Bolsonaro despertou forte reação contrária do movimento indígena no país.
"Considerando o nível de ameaça que hoje recai sobre a Amazônia, o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas, isso qualifica Raoni como uma pessoa que deveria ser destacada a receber o Nobel", diz o secretário- executivo do ISA.

*A jornalista viajou a Nova York a convite do instituto Clima e Sociedade

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/09/26/ameaa-sobre-a-amaznia…

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