OESP, Economia, p. B14
29 de Set de 2007
'Ameaça é o efeito dominó'
Para ambientalistas, floresta pode ser prejudicada
Andrea Vialli e Jamil Chade
As declarações do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, favoráveis à entrada da cana-de-açúcar em áreas da Amazônia repercutiram negativamente entre representantes do movimento ambientalista no Brasil e também na União Européia.
"O grande problema é que a expansão da cana para essas áreas pode repetir o 'efeito dominó' já verificado com outras culturas - quando a soja avançou para áreas de pastagens e essas, por sua vez, migraram para áreas de florestas", explica Paulo Gustavo Prado, diretor de Política Ambiental da ONG Conservation International.
"O etanol está sendo proclamado pelo mundo afora como a primeira commodity 'verde', e não faz sentido que sua produção gere impactos sobre áreas de preservação como a Amazônia", diz. Segundo Prado, o argumento de que a cana vai recuperar áreas degradadas é duvidoso. "A cana é uma cultura que tende a esgotar mais o solo e não recuperar."
Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF, segue o mesmo raciocínio. "O que temos notado é que o Brasil quer ser considerado um País ecológico apenas por ter biocombustível. Não é plantando cana que seremos mais 'verdes'."
Maretti diz que a produção de cana-de-açúcar ainda não pode ser considerada sustentável. "Há 30 anos vemos os impactos ambientais da cultura em São Paulo. Ainda há problemas com a queima e os canaviais continuam avançando sobre as matas ciliares", ressalta.
Surpresa
A União Européia se surpreendeu com a decisão do governo brasileiro de autorizar o plantio de cana na Amazônia e afirma que não permitirá a entrada no bloco de biocombustível que gere danos ambientais. Deputados europeus e ONGs alertam que a decisão prejudicará a imagem do etanol. "Vamos garantir que o que compremos venha de fontes sustentáveis", afirmou o porta-voz da Comissão Européia para temas agrícolas, Michael Mann.
OESP, 29/09/2007, Economia, p. B14
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