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Ambiente e florestas plantadas

GM, Opinião, p. A3
Autor: CARON NETO, Marcílio
28 de Nov de 2003

Ambiente e florestas plantadas
Produtores criam associação para defender a silvicultura nacional

Marcílio Caron Neto Engenheiro florestal

A palavra "silvicultura" está hoje muito mais desmistificada do que há alguns anos. Cresceram o debate em torno da importância de manter o compromisso com o respeito ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, a conscientização sobre a importância da silvicultura para a economia do País e para a própria preservação das florestas nativas.

Com muito esforço, os produtores de florestas plantadas estão mostrando que o cultivo da árvore é tão importante como o cultivo do arroz ou do feijão. As pesquisas desenvolvidas para a plantação de árvores são tão modernas quanto as de outras culturas. E as tecnologias utilizadas no Brasil são tão eficientes quanto as de outros países produtores, como Finlândia, Canadá e Estados Unidos.

Outra visão distorcida é a de que as empresas que plantam árvores são destruidoras de matas nativas. Todo o setor tem consciência do quanto é vital cuidar das riquezas naturais. A maioria das empresas que atua nessa área, com produtos em destaque na pauta de exportações, já tem ou está procurando conquistar certificações - nunca liberadas para as que não operam de forma correta em relação à preservação ambiental.

Outro fator que deve ser preponderante em qualquer tipo de decisão ou alteração de leis é a geração de empregos diretos e indiretos. São mais de 2,5 milhões de pessoas empregadas pelo segmento de silvicultura. O setor exportou, só no mês de outubro, US$ 370 milhões e representa 2,6% do PIB brasileiro. A importância econômica e preservacionista deve ser levada em consideração em qualquer debate.

Está para ser votado no Congresso Nacional o projeto de lei da Mata Atlântica. Há 11 anos em discussão, o projeto é positivo em alguns aspectos, mas, ao mesmo tempo, ignora a realidade atual. Está defasado e precisa ser reavaliado para que atinja o objetivo principal, que é deixar intocadas as atuais matas nativas. Como está, vai apenas impedir uma atividade econômica, mandando preservar o que não existe mais. O projeto amplia, de maneira totalmente incoerente, as áreas determinadas como de mata atlântica, proibindo o cultivo não só de árvores como da agricultura em geral, da pecuária e até mesmo o crescimento do turismo e de empreendimentos. Ao todo, a lei vai mexer na área de 17 estados brasileiros. Com a aprovação da lei na redação atual, o País terá de importar madeira.

Justamente para prevenir o "apagão florestal" é que os representantes da cadeia produtiva estão se unindo para fundar a Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) no próximo dia 2 de dezembro, em Brasília. É uma entidade que vai lutar, primordialmente, pela preservação da mata nativa e pelos empregos que alimentam inúmeras famílias. Não podemos ficar calados diante do "grito" internacional que vê o Brasil como um mercado em potencial. Precisamos lutar para preservar uma cultura que garante empregos e matéria-prima para o nosso país. E, com certeza, devemos estar ainda mais atentos para a manutenção de uma lei que, concomitantemente, preserve o meio ambiente e permita o crescimento econômico do Brasil.

Marcílio Caron Neto - Engenheiro florestal

GM, 28-30/11/2003, Opinião, p. A3

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