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Ambientalistas e ruralistas trocam acusações

O Globo, O País, p. 11
27 de Mar de 2011

Ambientalistas e ruralistas trocam acusações
Decreto que criminaliza produtores ilegais passa a valer em 11 de junho

Entre ambientalistas e ruralistas, o clima tem sido de troca de acusações:
- É muito difícil negociar com ambientalista, eles têm visão ideologizada. Falta conhecimento do que é a realidade do campo. Não aceito ser chamado de defensor dos agricultures. Nasci na enxada, mas sou tão ambientalista como qualquer agricultor ; diz o ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PMDB-PR), um dos membros da comissão negociadora.
- Queremos dialogar. Eu não vejo problema em mudar o código. Mas mudar para pior não dá. O Código Florestal é estratégico para o Brasil. Vai dizer o país que queremos: se vamos aumentar a agricultura em detrimento dos recursos naturais ou os respeitando ; pondera o deputado Márcio Macêdo (PT-SE), da ala ambientalista.
Produtores agropecuários apoiam, do relatório Aldo, pontos com anistia para quem desmatou além do permitido até 2008; a diminuição da proteção mínima dos rios em 50%, e o fim da reserva legal para pequenos produtores - cujas fazendas variam de 20 a 400 hectares. Além das ONGs ambientalistas internacionais, Aldo mostra a imprensa como inimiga.
- As matérias sobre meio ambiente são feitas em São Paulo. Os jornalistas não gostam de pesquisar e só ouvem as ONGs ambientalistas - disse Aldo em encontro recente da Frente Parlamentar Agropecuária.
Código defende limites a serem protegidos
Elaborado em 1965, o Código Florestal, que define áreas a serem protegidas, sofreu inúmeras modificações. Em seu texto, Aldo estima que, por conta das mudanças, 90% das 5,2 milhões de propriedades rurais descumprem a lei. Para ele, é urgente a alteração do texto, já que o decreto que criminaliza quem está na ilegalidade passa a valer em 11 de junho.
Sem pronunciar a palavra desmatamento, Aldo defende a manutenção de todas as áreas consolidadas, mas quer reduzir a Reserva Legal que agricultores são obrigados a manter em suas terras na Amazônia, de 80%, para permitir o avanço da agropecuária no bioma.
- Fui derrotado, tirei isso do meu relatório porque foi o preço que tinha que pagar. Criamos uma legislação que bloqueia terras aptas para a agricultura em uma proporção inaceitável. Perdemos a Amazônia para a agricultura. Não estou conseguindo ampliar a fronteira agrícola. Tudo que quero é legalizar áreas que já foram abertas - explicou Aldo, citando alerta da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), segundo o qual o mundo terá de aumentar áreas produtivas em 1,5 bilhão de hectares até 2030 para alimentar a população.

O Globo, 27/03/2011, O País, p. 11

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