CB, Brasil, p. 13
31 de Out de 2007
Ambientalistas defendem CPI
Coleta de assinaturas na Câmara começa hoje. Idéia é investigar destruição da floresta amazônica nos últimos 10 anos. Especialista alerta para possibilidade de que objetivo "muito amplo" atrapalhe
Ullisses Campbell
Da equipe do Correio
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o requerimento que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o desmatamento na Amazônia. A partir de hoje, os parlamentares que defendem as causas ligadas ao meio ambiente, liderados pelo deputado Nilson Pinto (PSDB-PA), começarão a coletar assinaturas para garantir a instalação da comissão.
O requerimento da CPI é de autoria de Pinto, que é presidente da Comissão de Meio Ambiente. Segundo ele, a idéia tem origem numa estatística do próprio governo, revelando que há 15 anos a Amazônia perde 1 milhão de hectares de floresta por ano. "Não pretendemos investigar casos específicos de desmatamento. Precisamos entender como se dá a destruição da Amazônia, suas causas e conseqüências, além de apontar seus responsáveis", disse o deputado. Segundo o requerimento de instalação da CPI, será investigado o desmatamento feito nos últimos 10 anos. Para garantir a instalação, é necessária a assinatura de um terço dos deputados - 171 nomes.
O pedido de criação da comissão também está embasado nos dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o órgão, que monitora o desmatamento em todo o país com ajuda de satélites, a destruição da floresta aumentou 600% nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia entre junho de 2006 e junho deste ano. "A previsão de desmatamento para 2007 é de 16 mil quilômetros quadrados. Isso não é normal, nem é aceitável", avalia Nilson Pinto.
A situação dos três estados destoa da registrada no resto da Amazônia Legal. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), nos últimos três anos houve uma queda acumulada na taxa de desmatamento no país de 49%. A previsão é de que esse percentual chegue a 65% quando forem finalizados os dados referentes ao período 2006-2007. Entre agosto de 2004 e julho de 2005, foi registrada uma queda de 31% na taxa de área desmatada, segundo o MMA. No período seguinte, a redução foi de 25%. Para 2006-2007, a previsão é de uma nova queda, desta vez de 30%.
"Cupins"
Segundo o engenheiro florestal Leandro Sodré, da organização não-governamental Amigos da Amazônia, localizada no Acre, a CPI deveria investigar o contrabando de madeira pelos "cupins" bolivianos, que invadem o lado brasileiro da floresta para retirar madeira e castanha-do-pará. "Todo mundo já sabe que a floresta está sendo dizimada. O importante é tomar providências para cessar esse desmatamento", diz Sodré.
O professor de engenharia florestal Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Amazonas, já trabalhou para órgãos do governo federal e estadual investigando causas e culpados pelo desmatamento da Amazônia. Ele diz que uma CPI como essa, que tem objetivo muito amplo, pode se perder pelo caminho. "O ideal seria investigar algo específico, como o caminho das toras que são retiradas ilegalmente da floresta. Até porque será quase impossível investigar o desmatamento na Amazônia feito nos últimos 10 anos, já que a floresta é um mundo", ressalta.
CB, 31/10/2007, Brasil, p. 13
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