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Ambientalistas criticam redução da Amazônia legal

OESP, Nacional, p. A7
23 de Abr de 2007

Ambientalistas criticam redução da Amazônia legal
Manobra é para desmatar mais, dizem deputado e diretor do Greenpeace

Gustavo Freire

Integrante da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o ex-ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho (PV-MA) classificou ontem de "inoportuno e inadequado" o projeto do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT) que exclui da Amazônia Legal os Estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. "É um projeto que está fora da realidade brasileira e global", afirmou ele, que participa da Frente Parlamentar Ambientalista.

A proposta de Jonas Pinheiro, divulgada ontem pelo Estado, é também criticada pelo diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. "Fundamentalmente, a motivação do projeto é reduzir a proteção ambiental", avalia. Do ponto de vista concreto, ele considera que o projeto é errado, porque, no caso de Mato Grosso, as florestas atingidas pertencem claramente à vegetação amazônica. "Mas, se passarem a pertencer ao cerrado, a proporção de áreas protegidas cairá de 80% para 35%", explica.

Já com parecer favorável da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, a proposta do senador Pinheiro, de acordo com Sarney Filho, "tem uma sinalização inversa, de que se pode desmatar a Amazônia". Ele destaca que o projeto se contrapõe às crescentes preocupações mundiais com o aquecimento do planeta.

Mesmo assim, o deputado diz estar confiante de que os senadores vão rejeitar a proposta. Se isso não ocorrer, Sarney Filho acredita que a Câmara vai derrubá-la, "pois toda a Frente Ambientalista votará contra".

O deputado entende que o próprio governo definirá posição contra a iniciativa. "A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, já se manifestou contra a idéia", garante. Independentemente da posição que o governo possa adotar, Sarney Filho diz que os parlamentares ambientalistas poderão organizar um movimento e mobilizar a sociedade contra essa alteração. "Vamos nos movimentar e impedir a aprovação", promete.

O diretor do Greenpeace partilha do otimismo de Sarney Filho: "Acredito que a idéia não passará no Congresso." Ele adverte também para o falso dilema entre preservar o meio ambiente ou expandir áreas para o cultivo de soja - ou, agora, de cana e outras lavouras para produzir biocombustíveis, como o etanol. "O País dispõe de áreas para expansão agrícola sem precisar reduzir as áreas sob proteção ambiental", avisa.

Frases

José Sarney Filho
Deputado (PV-MA)
"É um projeto que está fora da realidade brasileira e global. Tem uma sinalização inversa, de que se pode desmatar a Amazônia"
"Confio na capacidade dos senadores de refletir e rejeitar o projeto. Toda a bancada da Frente Ambientalista votará contra a iniciativa"

Sérgio Leitão
Diretor do Greenpeace
"Acredito que dificilmente essa iniciativa passará no Congresso"
"O País dispõe de áreas para expansão agrícola sem precisar reduzir as áreas sob proteção ambiental"

OESP, 23/04/2007, Nacional, p. A7

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