Página 20-Rio Branco-AC e Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
06 de Mar de 2003
"O manejo florestal é uma excelente opção para conservar a floresta em pé", defende o diretor de Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel
Pela primeira vez, universidades, instituições, entidades não-governamentais e empresas se juntarão ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para montar um banco de dados sobre manejo florestal na Amazônia.
A decisão foi tomada na última quinta-feira no Ibama após reunião entre os representantes desses grupos. "O manejo florestal é uma excelente opção para conservar a floresta em pé", defende o diretor de Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel.
O diretor explica que, quando o manejo é bem feito, a floresta pode produzir dividendos econômicos, ambientais e sociais. Hummel acredita que é possível convencer o setor produtivo a substituir o corte raso e predatório da floresta por projetos de manejo.
A princípio, comenta o diretor, a mudança pode custar mais caro, mas garantirá retorno financeiro por um período maior. A rede de instituições e empresas realizará um inventário florestal contínuo, a partir de metodologias comuns para conhecer a reação da floresta após a extração de sua cobertura vegetal de acordo com projetos de manejo.
A rede também estudará os efeitos de aberturas de clareiras e trilhas no meio da floresta para a extração de madeira, óleos e resinas. Com o cruzamento de informações se pretende identificar como as árvores crescem, o tempo que a floresta precisa para se recuperar e mecanismos que levem a uma regeneração mais rápida, entre outras informações.
O diretor observa que nas últimas duas décadas as instituições têm desenvolvido experimentos e metodologias para acompanhar a exploração de áreas de florestas de forma economicamente viável e ecologicamente aceitável.
A diferença é que nunca houve um trabalho conjunto. As informações isoladas já disponíveis vão alimentar um banco de dados ao qual todos os parceiros terão acesso. "Queremos conhecer a dinâmica da floresta em áreas de manejo para subsidiar políticas públicas", comenta Hummel.
Com um empurrão do governo, as comunidades tradicionais e empresas poderão cada vez mais investir na exploração de recursos da floresta de forma sustentável sem produzir danos ambientais irreversíveis e prejudiciais à própria atividade. As informações levantadas pela rede também ajudarão na definição de outros programas públicos que evitem a degradação do solo e dos recursos hídricos, indicou Hummel.
O representante da madeireira Mil Madeiras, Delman de Almeida Gonçalves, que nesta quinta-feira estava no Ibama participando da reunião para discutir a criação da rede de monitoramento na Amazônia, garantiu: "O manejo florestal vale muito mais a pena do que o corte raso".
Além de consultores independentes, a rede contará ainda com a participação da Embrapa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade Federal do Amazonas, da faculdade de Ciências Agrárias do Pará, do Instituto do Meio Ambiente e do Homem da Amazônia (Imazon).
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