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Amazônia tem maior rentabilidade

GM, Rede Gazeta do Brasil, p. B13
14 de Dez de 2004

Amazônia tem maior rentabilidade

Atividade rende duas vezes mais que "regiões tradicionais"; USP aponta taxa de retorno superior à do Sudeste. A pecuária na Amazônia deixou de ser uma discussão ideológica para ganhar argumentos economicamente viáveis. Estudo coordenado por cinco pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) mostra que a Taxa Interna de Retorno (TIR) da pecuária em algumas regiões da Amazônia Legal é duas vezes mais rentável que no Sudeste do país. Enquanto no norte do Mato Grosso, sul do Pará e Rondônia, a TIR alcança 10%, no Sudeste chega a 5%. A TIR mede o impacto que determinada atividade econômica exerce em cada região.
Coordenado pelo pesquisador Geraldo Sant''Ana de Camargo Barros, o estudo fez parte da palestra de Leandro Augusto Ponchio no 1o Seminário de Pecuária Sustentável no Acre, realizado na Escola Armando Nogueira. O encontro foi organizado pelo governo do Acre, com o apoio do governo federal e entidades do setor privado ligadas à pecuária no estado. Em todas as palestras notava-se a tentativa de conciliar as atividades extrativistas e florestais com a pecuária estruturada em novas bases tecnológicas.
Desmatamento
A pesquisa, assinada pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada da Esalq/USP, classifica como "surpreendente" os resultados econômicos relacionados "à atividade pecuária na Amazônia". O "horizonte de tempo" (indicador que avalia o impacto econômico da atual estrutura da produção) é de 20 anos. O estudo foi realizado por uma equipe de cinco pesquisadores da Esalq/USP. "O que desmata a Amazônia não é a pecuária", esclarece Leandro Augusto Ponchio, um dos responsáveis pela pesquisa. "A atividade que mais desmata é a madeireira". Sobre o embate entre a pecuária e o extrativismo, Ponchio desconversa afirmando que as discussões sobre meio ambiente podem fortalecer ainda mais a pecuária local. "Vocês têm aqui um dos maiores bens naturais que é a água. Isso é um fator aparentemente banal, mas, em algumas regiões, a escassez de água inviabiliza a atividade pecuária".
Sobre a comercialização da carne no mercado externo, Ponchio não hesita em afirmar que o Brasil será, junto com Malásia, Índia e Indonésia, o país com maior possibilidade de comercialização de proteína animal do planeta. O pesquisador não especifica a data, mas ironiza a atual capacidade de negociação do Brasil no mercado internacional. "Ainda somos imaturos para comercialização de nossos produtos no mercado externo e isso tem que mudar para quem tem vocação para crescer". O Brasil faz parte do mercado internacional há menos de uma década, enquanto que outros países, como Estados Unidos, já fazem parte do mercado internacional há mais de 60 anos.
No Acre, a pecuária está sob a responsabilidade dos pequenos produtores. O atual plantel acreano é contabilizado em 1,8 milhão de cabeças, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, o Acre já alcançou a marca de 2 milhões.
Desse total, tanto a Federação quanto a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) concordam que 84% do rebanho estadual estão em propriedades com menos de 100 rezes. E 96% de todo o gado no Acre está em fazendas com menos de 500 rezes. "Isso é um indicador fiel de que quando se fala em pecuária no Acre, temos que pensar no pequeno produtor e não do grande pecuarista", avalia Assuero Veronez, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre. A geração de empregos diretos ligados à pecuária, de acordo com os cálculos de Veronez, está na ordem de 55 mil.
Os pecuaristas argumentam que, atualmente, 76% da Amazônia pertencem à União e 24% à iniciativa privada. Os produtores da carne usam esses dados para criticar a Lei Ambiental que limita o desmate à 20% da propriedade. "Essa lei é um empecilho ao desenvolvimento da pecuária no Acre", pontua Veronez. Quando lembrado da existência de um Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) que aponta as áreas do estado em que a atividade pode ser melhor aproveitada nas áreas já desmatadas, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária ironiza com a pergunta. "Qual zoneamento. Aquilo não pode ser usado tecnicamente".
kicker: No Acre, 96% do plantel está em áreas com menos de 500 reses

GM, 14/12/2004, Rede Gazeta do Brasil, p. B13

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