OESP, Nacional, p. A10
13 de Out de 2007
'Amazônia tem dono', diz Jobim
Em visita a postos da fronteira, ministro repete discurso de Lula sobre soberania brasileira na preservação da região
Tânia Monteiro
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, iniciou sua visita de uma semana aos pelotões de fronteira da Amazônia repetindo discurso feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, dias antes de embarcar para Nova York - quando avisou que não admitia intromissões nem palpites na forma como o Brasil preserva a região. "Esta terra tem dono", afirmou Jobim, em discurso, em São Gabriel da Cachoeira, ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que o acompanha na viagem, que se estenderá até segunda-feira.
De São Gabriel da Cachoeira Jobim e a comitiva de cerca de 50 pessoas seguiram para o pelotão de fronteira Maturacá, que fica na fronteira com a Venezuela. No total, serão visitadas 20 unidades militares, das quais 12 são postos de fronteira.
MOCHILA
As mulheres da comitiva utilizaram camisetas camufladas do Comando Militar da Amazônia. A ministra Dilma, porém, não quis a roupa de camuflagem. Mas jogou nas costas uma mochila de 20 quilos, igual à que os soldados usam para andar na selva, com material para alimentação e sobrevivência. Em Maturacá, Jobim e sua comitiva foram recebidos por índios ianomâmis.
Em resposta a uma declaração da Organização das Nações Unidas (ONU), de que ações militares em terras indígenas devem ser restringidas, o ministro da Defesa disse que essas áreas são de usufruto dos índios, mas as terras são da União e como tal devem ser tratadas, permitindo a presença de tropas militares na região.
Jobim aproveitou para contar que já conversou com Dilma para que façam uma reunião completa a fim de definir em todo o País a forma pela qual as autoridades policiais e militares devem se conduzir em relação às terras indígenas, uma das grandes preocupações dos militares na região. "Terra indígena é terra brasileira", declarou o ministro da Defesa, ao lembrar que os índios são brasileiros e a prova disso é que eles estão presentes nas fileiras do Exército. "Isso mostra que o Brasil é amplo e tem lugar para todo mundo", acrescentou.
AEROLULA
O ministro chegou a São Gabriel da Cachoeira, primeiro ponto dos sete dias de viagem a 20 unidades militares, a bordo do avião presidencial, o Aerolula. Na comitiva, todos brincavam que foi uma deferência do presidente à relevância da viagem e à importância que ele dá à necessidade de fortalecer as fronteiras do País.
A comitiva de 50 pessoas que acompanha Jobim é maior do que alguns dos pelotões de fronteira que serão visitados, pois em vários deles trabalham apenas 35 militares. O ministro estava acompanhado de sua mulher, Adriane Senna, que usava sandália cor-de-rosa, pintada de purpurina, e se deliciava tirando fotos da região, ao lado de outros integrantes da comitiva, que incluía cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a maior parte deles com suas mulheres.
A repórter do Estado viajou a convite do Ministério da Defesa
Ex-guerrilheira se confraterniza com militares
Roldão Arruda
Foi de confraternização o clima do encontro da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com comandantes militares da Amazônia, ontem, em São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro. Ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e sob o olhar simpático de oficiais, entre eles o general Heleno Pereira, Dilma até experimentou o peso da mochila que os soldados costumam carregar em expedições na selva.
Há quarenta anos, não se poderia imaginar tal cena. Naquela época, Dilma e os militares estavam em campos radicalmente opostos. Ela defendia a luta armada para a derrubada da ditadura militar e chegou a fazer parte de organizações revolucionárias clandestinas, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-Palmares).
Na clandestinidade, a futura ministra usou os codinomes Estela, Luiza, Patrícia, Wanda, para fugir da perseguição dos militares. Mas acabou sendo presa e torturada, em 1970, acusada de subversão. Só saiu da cadeia três anos depois, em 1973.
OESP, 13/10/2007, Nacional, p. A10
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