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Amazônia: Governo pode retaliar países que boicotarem produtos brasileiros, diz Heleno

O Globo - https://oglobo.globo.com/economia
22 de set de 2020

Amazônia: Governo pode retaliar países que boicotarem produtos brasileiros, diz Heleno
Ministro diz que incêndios no Pantanal são acidentais e que querem 'derrubar Bolsonaro'. Presidente diz na ONU que país vive campanha de desinformação

Victor Farias

BRASÍLIA - O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, afirmou nesta terça-feira que o Brasil pode retaliar países que adotem políticas de boicotes a produtos brasileiros por questões ambientais. Também ressaltou que as queimadas na Amazônia têm um fator criminoso, mas defendeu que incêndios no Pantanal foram acidentais.
A declaração foi feita pouco antes do discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da Organização Nacional das Nações Unidas (ONU). Bolsonaro disse que o país vive uma campanha de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.
Os dois biomas vem registrando aumento de queimadas e desmatamento. E o Brasil vem sendo alvo de críticas por ONGs, empresas e investidores por não conter o desflorestamento.
Heleno também afirmou que a Alemanha é "um (país) que valia a pena", devido ao consumo de produtos alemães pelo Brasil.
- [Retaliar] é uma medida que, obviamente, pode estar na mira do governo brasileiro, só que é aquele negócio: você já comprou uma coisa finlandesa, norueguesa, sueca? Eu não me lembro de ter na minha casa esses produtos - disse.
O jornalista da Rádio Bandeirantes, então, afirmou: "Alemã já".
- Não, Alemanha tem muita coisa. Esse é um que valia até a pena, mas eu não quero citar países, eu tenho muito medo de criar um problema diplomático e ser injusto até - completou Heleno.
Na terça-feira passada, um grupo de oito países europeus fez um apelo para que o Brasil tome "ações reais" para combater o crescente desmatamento da Floresta Amazônica.
A Parceria das Declarações de Amsterdã, atualmente liderada pela Alemanha, enviou uma carta aberta ao vice-presidente Hamilton Mourão manifestando preocupação sobre o que avalia ser o recuo do Brasil em relação ao sólido histórico de proteção ambiental do país.
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Na carta, de duas páginas, os países afirmam que o desmatamento dificulta a compra de produtos brasileiros.
O ministro do GSI defendeu a atuação do governo de Jair Bolsonaro na preservação do meio ambiente, citando a "pequena fortuna" gasta com operações contra queimadas durante a pandemia.
Ação contra garimpos
Ele citou ainda a produção energética brasileira, que tem grande participação de energias renováveis, além das atuações de militares na Amazônia. Heleno também defendeu que era preciso investir em inteligência para ir atrás dos donos do garimpo, e não dos garimpeiros.
- Temos que criminalizar esse delitos, temos que ter condições de inteligência para ir atrás de quem é o dono do dinheiro, não é o pobre coitado do garimpeiro que tá lá, ralando e tentando sobreviver.
E continuou:
- É o camarada que tá por trás, no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, comandando esses escravos, muitas vezes é um trabalho escravo, estão lá se sacrificando na ponta da linha e acabam sendo criminalizados, acabam tendo prejuízos, e esses caras estão protegidos - disse.
'Trabalho nefasto'
Heleno voltou a dizer que existem países e instituições interessados em tirar Bolsonaro do poder. Ele defendeu que o governo tome medidas legais contra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e disse que o governo estava "levantando dados dessa instituição".
- A minha opinião é que nós temos que ir para cima, sim. Estamos levantando dados dessa articulação dos povos indígenas brasileiros, até porque acho que eles não tem nem CNJP, então nós estamos buscando realmente qual é a missão deles, quais são seus verdadeiros objetivos para, se for o caso, mover uma ação contra esse trabalho nefasto que eles fazem - disse.
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Questionado quais países estariam interessados em prejudicar o Brasil, Heleno disse que "fica difícil citar os países", já que ele não queria criar uma crise diplomática, mas afirmou que as pessoas bem informadas "tem na cabeça quais são esses países".
- É lógico que as pessoas que leem jornal, que são bem informadas, têm na cabeça quais são esses países. Não cabe a nós, do governo, citar esses países, que eu vou criar um problema diplomático internacional. Eu também não vou botar minha cabeça a prêmio, porque não vale a pena. Eu ando sem segurança, a gente não pode exagerar - afirmou.
Segundo Heleno, as pessoas interessadas em derrubar o presidente Bolsonaro "não admitem alternância de poder" e nunca imaginaram que ele pudesse ganhar a eleição.
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- Se surpreenderam com a vitória dele, aí resolveram: "isso aí a gente derruba em um mês". Os meses estão passando, e a popularidade do presidente está crescendo. Ele está fazendo um governo maravilhoso? Não, é difícil fazer um governo maravilhoso, nós temos problemas sérios, é um país de 8,5 milhões de km², com diferenças regionais marcantes, só que ele vai atrás, corre - disse.
Incêndios no Pantanal
Após ressaltar que as queimadas na Amazônia têm um fator criminoso, Heleno defendeu que incêndios no Pantanal foram acidentais.
- Acidentes que acontecem em qualquer país do mundo, alguns acidentes evitáveis? Sim, curto-circuito da rede elétrica é evitável? É, mas é acidente. Ninguem foi lá tacar fogo - comentou, acrescentando:
- Interessa espalhar no mundo que aqui se taca fogo no mato para plantar, se taca fogo no mato para criar gato.
O ministro defendeu que o código florestal brasileiro é "muito bem feito" e que foi discutido amplamente. Ele também citou a longa estiagem que o bioma passou neste ano.
- Esse código florestal tem sido respeitado por grande parte dos produtores rurais. Um número significativo dos produtos rurais não têm nada a dever ao código florestal - disse.
- [Temos que] fazer as coisas de maneira honesta e assumir a culpa daquilo que é nossa culpa e tratar as coisas que são acidentais como coisas acidentais. Nós tivemos este ano a maior temporada de estiagem talvez de muitas décadas no Pantanal. Você acha que o plantador, o produtor do Pantanal quer quase que incendiar a casa dele? Então são coisas assim que não têm cabimento - acrescentou.

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