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Amazônia: governo admite alta na devastação

O Globo, Ciência, p. 37
17 de Out de 2007

Amazônia: governo admite alta na devastação
Em Mato Grosso, a derrubada de árvores teve um avanço de 107% entre junho
e setembro

O Ministério do Meio Ambiente informou que vai reforçar as operações de combate ao desmatamento na Amazônia. Satélites do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), detectaram um aumento na derrubada de árvores em três estados da região entre junho e setembro. A situação mais preocupante é a de Mato Grosso, onde o desmatamento avançou 107% nesses quatro meses em relação ao mesmo período do ano passado. Em Rondônia, o crescimento foi de 53%, e no Acre, de 3%.

O governo admitiu que houve, de fato, um aumento na devastação, mas, para o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o impacto desse crescimento só poderá ser dimensionado no ano que vem, no próximo balanço de derrubada de árvores na Amazônia.

Ministério promete um aumento na fiscalização
A taxa de desmatamento medida anualmente de 1o de agosto a 31 de julho do ano seguinte.

- Acendemos a luz amarela, mas não sabemos se a curva vai prosseguir em alta. Vamos trabalhar para que isso não ocorra prometeu.

De acordo com Capobianco, o reforço na fiscalização foi decidido há duas semanas, em reunião com responsáveis pelo monitoramento das florestas no Ibama.

O ministério atribui a alta a três fatores: a seca prolongada nas regiões Norte e Centro-Oeste; o aumento no preço internacional de commodities como a soja; e a proximidade das eleições municipais, período em que as prefeituras costumam afrouxar o combate ao desmatamento.

Com discurso otimista, o secretário afirmou que o balanço de 2007, a ser divulgado em dezembro, deve apresentar a maior queda no desmatamento da Amazônia desde o início das medições anuais por satélite, em 1988.

Pouco poder para inibir os responsáveis
O governo espera uma redução de pelo menos 30% no índice, que vem caindo nos últimos dois anos.

- Segundo o Inpe, a redução pode ser de até 36% em relação a 2006. Não há dúvida de que teremos o terceiro ano seguido de queda no desmatamento da Amazônia - afirmou Capobianco.

Nas próximas semanas, o governo deve anunciar um plano para reforçar o combate à ação de grileiros e madeireiros na Amazônia. Apesar da mobilização, o Ministério do Meio Ambiente alega ter pouco poder para inibir os responsáveis pelo desmatamento. A lei permite o embargo de atividades econômicas em áreas preservadas, mas não prevê punições.

Em 2008, uma das prioridades da área será acelerar a concessão de florestas para exploração pela iniciativa privada. No próximo dia 31, a ministra Marina Silva abre a primeira licitação do gênero, para "privatizar" a Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia.

O Globo, 17/10/2007, Ciência, p. 37

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