CB, Caderno C, p. 3
01 de Dez de 2003
A Amazônia como matéria-prima
Da Redação
A matéria-prima da Amazônia sob os olhos da arte. Madeiras raras que cumprem o ciclo biológico e ficam abandonadas até a biodegradação total no meio da floresta amazônica, reincorporando-se à mata. O destino de espécies pouco conhecidas da flora brasileira - como a muirapiranga, o pau roxo e o tucumã - agora é outro: o resgate
da cultura nativa da região. Trata-se da exposição coletiva Amazônia: nosso futuro comum, na Embaixada do Reino dos Países Baixos (Avenida das Nações). A exposição, com entrada franca, pode ser visitada hoje e amanhã, das 10h às 12h30 e das 15h às 20h.
Ao todo, são 100 objetos trabalhados pelos artistas plásticos Eduardo Fittipaldi, Mário Palhares Filho e Fabrícia Cabral, dirigidos por Luiz Galvão - que fez pesquisa pioneira utilizando em seus trabalhos 42 espécies de madeira não catalogadas e é responsável pela reunião dos três ''discípulos''.
''Ele tem todo o mérito, é o mestre da exposição'', reconhece Eduardo Fittipaldi. ''É importante porque ele disponibiliza toda a estrutura de material para outros artistas e transmite seu conhecimento'', avalia. A base dos trabalhos consiste em agregar valor à matéria bruta colhida, utilizando-se materiais como couro, vidro, pedras, algodão e aço.
Eduardo faz questão de enfatizar o potencial de biodiversidade da Amazônia e que a mostra tem um ponto crucial para o despertar da consciência ecológica. ''O aspecto contemplativo é muito importante, porque as pessoas ficam encantadas com as cores e as texturas das madeiras, muitas vezes desconhecidas'', ressalta. Além do fascínio estético, o caráter de valorização da cultura nacional está presente. ''A tendência natural é que os povos nativos parem de produzir. Por isso, nós incorporamos a cultura tradicional ao nosso trabalho, como a cestaria indígena, por exemplo'', explica o artista, que fez de um cupinzeiro abandonado pelos insetos uma luminária de 1,5 metro de altura.
CB, 01/12/2003, Caderno C, p. 3
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