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Amazonas vai ganhar cinco novas unidades de conservação

OESP, Vida, p. A22
28 de mar de 2006

Amazonas vai ganhar cinco novas unidades de conservação
São áreas de baixa densidade populacional, mas de alta biodiversidade

O governo do Amazonas anunciou ontem a criação de cinco novas unidades estaduais de conservação, totalizando 24 mil quilômetros quadrados. São todas áreas de baixa densidade populacional, mas de altíssima biodiversidade, de acordo com estudos que estão sendo conduzidos pela organização não-governamental Conservação Internacional (CI).

"Provavelmente teremos recordes mundiais de riqueza de espécies em um só lugar", afirmou o biólogo José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente de Ciência e diretor para a Amazônia da CI. O grupo já havia ajudado o Amazonas a criar outras unidades do tipo.

As novas áreas protegidas no Amazonas são a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Juma, Reserva Extrativista Gregório e Mosaico Matupiri-Igapó-Açú, um conjunto de três unidades (uma delas de proteção integral) na área de influência da BR-319. Por causa da rodovia, a região tem sofrido com grilagem e retirada ilegal da madeira. O governo espera que o mosaico de unidades de conservação ajude a coibir tais práticas e forme corredores de floresta, o que permite o trânsito de animais e sementes.

O anúncio da criação das novas áreas de proteção foi feito na 8ª Conferência das Partes (COP 8) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, em Curitiba, onde a criação de áreas protegidas tem sido uma das discussões prioritárias.

A perda de hábitats, associada principalmente com a destruição das florestas tropicais, é considerada a principal ameaça à biodiversidade do planeta.

Com as novas unidades - uma de proteção integral e quatro destinadas ao uso sustentável - o Amazonas passa a ter aproximadamente 50% de seu território (750 mil km2) sob alguma forma de proteção ambiental, incluindo unidades de conservação federais, estaduais, municipais e terras indígenas.

Só nos últimos três anos foram criados 105 mil km2 de áreas protegidas, segundo o secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Virgílio Viana. "Estamos apostando em um novo modelo, um arranjo econômico diferenciado", disse Viana.

O apoio às unidades de uso sustentável, nas quais as comunidades locais podem praticar atividades de extrativismo florestal (inclusive de madeira), mostra que é possível conciliar a conservação da floresta com o desenvolvimento econômico, segundo o secretário.

Mesmo com grande parte de seu território protegido, o Estado tem crescido entre 12% e 14% ao ano. "Sem uma lógica econômica, a preservação está fadada ao trabalho de polícia, e polícia não segura", afirma Viana. "Esse é o grande erro das políticas ambientais do País."

O Estado ainda precisa implantar o zoneamento econômico-ecológico, o que ajudaria a regular as atividades no solo.

OESP, 28/03/2006, Vida, p. A22

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